Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Cruz Vermelha diz que hospitais em Bagdá estão um caos

Sábado, 12 de Abril de 2003 às 14:18, por: CdB

A Cruz Vermelha afirmou que nenhum hospital está funcionando normalmente em Bagdá. Segundo a organização, o sistema de saúde da cidade entrou praticamente colapso em meio à onda de saques e violência que toma conta da capital iraquiana. Muitos equipamentos hospitalares teriam sido roubados e, assustados com a violência, poucos funcionários estariam se apresentando para trabalhar. Ainda segundo a agência humanitária, muitos pacientes estão abandonados à própria sorte. Falta de segurança A Cruz Vermelha suspendeu seus trabalhos no Iraque na terça-feira depois que um de seus funcionários foi morto em um fogo cruzado. Outras agências humanitárias já haviam interrompido seus esforços no país, sob o argumento de que não há segurança suficiente para trabalhar na região. O porta-voz da organização, Nada Doumani, voltou a dizer que, como forças de ocupação, os Estados Unidos e Grã-Bretanha têm obrigação de proteger a população civil e garantir o acesso a hospitais. O Comitê da organização também alertou para o risco de a falta de água desencadear epidemias no país. Das seis organizações não-governamentais que receberam autorização para trabalhar no Iraque antes da guerra, apenas duas permanecem - Médicos Sem Fronteiras e Primeira Urgência. "É importante restaurar a segurança, especialmente nos hospitais. Caso contrário, todos os nossos esfoços serão em vão", afirmou o diretor de operações da Primeira Urgência, Frederic Bonamy. "Estou procurando desesperadamente por alguém que possa coordenar os esforços com diretores de hospitais em várias partes do país, mas atá agora não achei ninguém." Volta ao trabalho Em entrevista à BBC, um porta-voz americano fez um apelo para que funcionários públicos e policiais iraquianos voltem ao trabalho. Segundo ele, 80 pessoas já se apresentaram. Nesse grupo, estaria um comandante de polícia. Mas outro repórter da BBC em Bagdá, Andrew Gilligan, diz que a polêmica em torno do comandante apenas mostra o grau de dificuldade que os americanos têm para recompor uma estrutura mínima de funcionamento dos serviços públicos. Os moradores locais dizem que, nos tempos de Saddam Hussein, ele sempre foi conhecido por ser corrupto e estar envolvido com o crime organizado. Em meio às críticas de que estão fazendo pouco para controlar um país à beira da anarquia, o Departamento de Estado americano afirmou que vai enviar 1.200 policiais para o Iraque, mas não informou quando eles chegariam. Ainda assim, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld nega que o caos tenha se instalado no Iraque.

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