O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) divulgou um novo relatório criticando a prisão de centenas de suspeitos em uma Base Naval dos Estados Unidos na baía de Guantánamo, em Cuba, disse uma autoridade do Pentágono nesta quinta-feira.
A autoridade, que não quis ter sua identidade revelada, não deu maiores detalhes sobre o relatório, mas disse a repórteres que a Cruz Vermelha entregara o documento para o Departamento de Estado nesta semana.
"Foi dito a Rumsfeld (Donald Rumsfeld, secretário de Defesa dos EUA) que o relatório era crítico", afirmou a autoridade, destacando que a Cruz Vermelha protestou várias vezes sobre Guantánamo, onde mais de 500 pessoas, a maior parte delas detidas no Afeganistão, são mantidas presas sem terem sido acusadas formalmente de crime nenhum.
Antonella Notari, principal porta-voz do ICRC em Genebra, não quis comentar as declarações.
Horas antes, Florian Westphal, outro porta-voz do comitê, havia dito que a entidade se preocupava com o fato de os detentos de Guantánamo estarem em um limbo jurídico, "além do alcance da lei".
Um relatório do ICRC sobre as prisões norte-americanas no Iraque alimentou a onda de protestos da comunidade internacional devido aos casos de tortura envolvendo policiais militares dos EUA.
O jornal The New York Times afirmou nesta quinta-feira que os métodos de interrogatório usados pela CIA (agência de inteligência norte-americana) para extrair informações dos presos de Guantánamo e de outros locais eram tão severos que o FBI (polícia federal) mandou seus agentes ficarem longe dessas sessões.
Os EUA dizem que os detentos de Guantánamo não são prisioneiros de guerra e que, por isso, não estão protegidos pela Convenção de Genebra. A maior parte dos homens detidos ali foi capturada durante a invasão do Afeganistão.