As iminentes chuvas torrenciais ameaçam agravar a crise humanitária que afeta a fronteira entre o Sudão e o Chade, onde milhares de refugiados que fogem da guerra poderiam ficar incomunicáveis e expostos a doenças contagiosas.
Segundo dados da Cruz Vermelha da Espanha, cerca de um milhão de pessoas fugiram de suas casas nos últimos meses em conseqüência da violência e dos combates internos que são travados na região fronteiriça sudanesa de Darfur.
Cerca de 850.000 pessoas deslocaram-se a localidades mais seguras nos arredores da citada região, onde se desenvolve uma das esquecidas guerras da África.
Cerca de 150.000 pessoas refugiaram-se no vizinho Chade, onde a situação piora a cada dia que passa, adverte a Cruz Vermelha da Espanha, que tem uma equipe de médicos e presentes nesta região.
A maioria deles é composta por mulheres e crianças que vagam pela fronteira entre os dois países. Só uma parte pôde ser hospedada nos acampamentos construídos pelo Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
"Tanto os deslocados como os refugiados necessitam ajuda e atenção de forma imediata para evitar uma crise de proporções enormes em uma das regiões mais pobres do mundo", acrescenta a Cruz Vermelha em um comunicado recebido pela EFE no Cairo.
Os refugiados fogem do cruel conflito civil que, há mais de um ano, sacode esta depauperada e esquecida região, onde o rebelde Movimento da Justiça e a Igualdade (MJI) luta contra o Exército sudanês.
O MJI, junto ao Movimento de Libertação do Sudão, há mais de um ano protesta por se considerar abandonado e marginado pelo Governo de Cartum.
Nos últimos meses, fracassaram todas as tentativas para criar uma via de negociação. Da zona emergiram, notícias de que milicianos e soldados violam, roubam e matam de impunemente.
Com o objeto de atenuar os efeitos desta tragédia humanitária, a Cruz Vermelha da Espanha iniciou projetos de água e saneamento para atender cerca de 150.000 deslocados internos que escapam também da região de Darfur.
Três delegados realizam o seguimento destes projetos e estudam novas intervenções para atender o maior número possível de pessoas.
No Chade, a Cruz Vermelha Espanhola reforçou quatro bases de apoio logístico ao longo da fronteira com o Sudão para prestar assistência urgente aos refugiados e colaborar em sua chegada nos campos do ACNUR.
Em ambos os casos, a Cruz Vermelha Espanhola trabalha em estreita colaboração com o Crescente Vermelho do Sudão e a Cruz Vermelha do Chad, além do CICV.
Apesar dos esforços da Cruz Vermelha e de outras ONG, a situação dos refugiados no Chade poderia piorar dramaticamente nas próximas semanas com a chegada da estação úmida, que poderia deixar isoladas mais de 100.000 pessoas não amparadas em campos durante pelo menos três meses.