Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Crônicas de Machado de Assis serão reunidas em livro

As mais de mil crônicas escritas por Machado de Assis, ao longo de 50 anos, e publicadas em jornais do Rio de Janeiro no século 19, estão sendo reunidas por especialistas da obra machadiana. As crônicas ganharam especial destaque no centenário da morte de Assis, um dos mais importantes autores brasileiros. (leia mais)

Sexta, 26 de Setembro de 2008 às 13:13, por: CdB

As mais de mil crônicas escritas por Machado de Assis, ao longo de 50 anos, e publicadas em jornais do Rio de Janeiro no século 19, estão sendo reunidas por especialistas da obra machadiana.

As crônicas ganharam especial destaque no centenário da morte de Assis, um dos mais importantes autores brasileiros, marcado para o dia 29 de setembro.

- Esse material disperso vem sendo reunido - disse à Agência Lusa o professor de literatura brasileira da Universidade de São Paulo (USP), Hélio de Seixas Guimarães.

- Queremos entender melhor como essas crônicas dialogavam com o entorno delas, com paródias e comentários sobre os próprios periódicos onde foram publicadas - frisou.

Leitor aplicado dos jornais da época, Machado de Assis transportou para as suas crônicas uma "espécie de ruminação" sobre o que estava acontecendo no Brasil e no mundo de sua época.

- Esse diálogo era estreito, pontual e cotidiano, o que afasta a tese de um autor afastado do mundo, uma vez que mostra um Machado no corpo a corpo com seus leitores e com o meio literário - explicou.

Nascido no Rio de Janeiro, então capital de um Brasil recém-independente de Portugal, Machado de Assis era filho de uma família simples, pai pintor e mãe lavadeira, e neto de escravos libertos.

Ao morrer vítima de um câncer na boca, sem nunca ter deixado fisicamente o Rio de Janeiro, deixou uma extensa obra literária, com mais de 200 contos e dezenas de livros, entre romances, poemas e peças de teatro.

- Trata-se de uma obra variada, com todos os gêneros da literatura, e que possibilita leituras díspares, pouco usuais no seu tempo - frisou Seixas Guimarães.

O centenário da morte de Machado de Assis está sendo marcado por uma série de eventos, em diferentes cidades brasileiras, com lançamento de livros, colóquios e exposições fotográficas e de manuscritos.

Acordo ortográfico

O ponto alto da homenagem será a promulgação pelo presidente Lula do acordo ortográfico da língua portuguesa, que entrará em vigor em 2009.

A solenidade ocorrerá no dia 29 de setembro, na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, entidade cujo primeiro presidente foi Machado de Assis.

- Com esses atos, Machado de Assis será duplamente exaltado: de um lado, a Academia lhe rende a mais expressiva homenagem. E, do outro, a assinatura pelo presidente Lula dos decretos que promulgam o acordo ortográfico dos sete países lusófonos - disse o presidente da ABL, Cícero Sandroni.

Em São Paulo, a efeméride foi assinalada esta semana no colóquio de literatura brasileira "Machado de Assis 100 anos depois", com a participação de especialistas na USP.

A ABL iniciará a publicação da correspondência completa de Machado de Assis, devendo o primeiro volume (1860-1869), que será lançada em novembro.

Exposições

A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro apresenta a exposição "Cartografia Inacabada", com cerca de 200 peças entre manuscritos, periódicos, livros e cartas do acervo do autor.

No Instituto Moreira Salles, a exposição "O Rio de Janeiro de Machado de Assis" apresenta cerca de 60 fotografias de artistas consagrados da época.

A lista de romances de Machado de Assis inclui clássicos da literatura brasileira, como "Memórias Póstumas de Brás Cuba", "Dom Casmurro", "Quincas Borba", "Esaú e Jacó" e "Memorial de Aires".

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