Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Crítico da modernidade acredita no sucesso do governo de Lula

Autor de Crítica da Modernidade, entre outras obras literárias traduzidas na maioria dos países do mundo, o sociólogo Alain Touraine, diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, de Paris, França, lembrou que, há dois anos, comentou com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que o seu melhor sucessor seria Luiz Inácio Lula da Silva. (Leia Mais)

Sexta, 08 de Novembro de 2002 às 21:55, por: CdB

Autor de Crítica da Modernidade, entre outras obras literárias traduzidas na maioria dos países do mundo, o sociólogo Alain Touraine, diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, de Paris, França, lembrou que, há dois anos, comentou com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que o seu melhor sucessor seria Luiz Inácio Lula da Silva. Touraine esteve no Rio, nesta segunda-feira, para receber o título de doutor honoris causa da Universidade Candido Mendes, junto com FH e o ex-presidente de Portugal, Mário Soares. Entre um e outro belisco no sushi servido após a solenidade, no Centro do Rio, o sociólogo analisou a situação política da América Latina e confessou seu temor pela degeneração da democracia na Argentina. Mas, em relação ao Brasil, diz-se "extremamente otimista" com o futuro do novo governo. Aos 75 anos, o pensador há tempos mexe com os conceitos - e preconceitos - políticos de seu país. Foi um dos primeiros intelectuais franceses a aplaudir, ano passado, a eleição do prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, tanto por ele admitir publicamente a homossexualidade, quanto por ser um socialista, e conquistar a administração de uma cidade tradicionalmente de direita. Sem deixar de admirar a beleza do Rio, que vislumbrava do 44º andar da torre no número 10 da Rua da Assembléia, o recém-diplomado doutor não poupou críticas às distâncias abissais que separam ricos e pobres no Brasil. Ainda assim, Touraine faz questão de ressaltar os esforços do colega - que encerra em 1º de janeiro do ano que vem a sua última passagem pelo governo brasileiro - na tentativa de diminuir o fosso que separa incluídos e excluídos da riqueza nacional. - Quais são suas primeiras impressões diante da presença do ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República do Brasil? - A verdade é que, há tempos, uns dois anos mais ou menos, disse uma vez em Brasília ao Fernando Henrique: "o melhor sucessor para você seria o Lula". Antes e durante a campanha, publiquei vários artigos na imprensa francesa nos quais defendi o que chamei de "Aliança Cardoso-Lula". É uma aliança entre dois homens igualmente conscientes da necessidade de manter uma união estreita entre a defesa das instituições democráticas e os anseios da sociedade brasileira, que cada vez mais está consciente de suas necessidades, abandonando as estupidezes do passado e enfocando cada vez mais a necessidade de atacar os problemas sociais do país. - E houve, na sua opinião, algum esforço consistente no sentido de se reduzir as desigualdades sociais no Brasil? - Na minha opinião, não se divulgou suficientemente que o Brasil, no período Cardoso, alcançou metas importantes na direção da igualdade social, a despeito da opinião pública, que considera o seu governo social-democrata, de direita como se diz, e mais preocupado com os movimentos do mercado de capitais do que com os desafios na área social. É possível perceber, em nível mundial, um desgaste da social-democracia e do welfare state. Nós observamos que a distribuição da riqueza não se faz em proveito dos mais pobres. E, como tal, as desigualdades aumentam. Ainda assim, dados importantes, que marcam a posição do Brasil como um país subdesenvolvido, a exemplo da imensa mortalidade infantil, já não existem mais. Este fato será decisivo para se analisar, no futuro, o período Cardoso no Brasil. - E que defeitos, então, o senhor vê no governo que termina? - Digamos que o fracasso de Cardoso foi não ter conseguido realizar uma reforma política há mais tempo. Mas em nenhum país latino-americano, tampouco no México, onde o sistema democrático é forte e a presidência é exercida por Vicente Fox Quesada, um profissional respeitado mundialmente, a passagem de um sistema social-democrático para outro, mais voltado à solução das desigualdades sociais, aconteceu na última década de forma tranqüila. Agora, com esse "acordo" entre Cardoso e Lula, vejo o Brasil como um país preparado pa

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