O novo filme de Steven Spielberg, Munique, tem sido alvo de críticas tanto de israelenses quanto de palestinos, que destacam imprecisões históricas na trama. O longa-metragem trata de forma ficcional a caçada empreendida por agentes do Mossad (serviço secreto israelense) para assassinar os palestinos acusados de organizar o seqüestro de atletas de Israel nas Olimpíadas de Munique (1972), que resultou na morte de 11 deles. Eric Bana, ator que interpreta o agente que lidera o grupo organizado pelo Mossad para a missão, afirma que a reação negativa vinda dos dois lados é "um sinal saudável".
- Não há como fazer todos concordarem sobre o que realmente aconteceu. Ao final das contas, temos de lidar com alguns fatos inegáveis e alguma licença poética. A forma como você liga os pontinhos não altera os temas centrais e as complexidades morais do filme - disse o ator australiano de 37 anos.
O filme lida com uma questão fundamental: responder ao terrorismo com violência é algo justificável? Ou apenas alimenta mais terrorismo, como sugere a obra de Spielberg?
- Seria idealista dizer que você não deve responder. Mas é claro que isso é diferente de acordo com as circunstâncias - opina Bana.
Ele acrescentou: -Tanto o filme quanto a vida real estão neste exato momento lidando com esta questão complexa.
Bana contou que Spielberg se preocupava durante as filmagens em obter um resultado que fosse "ao mesmo tempo equilibrado e estimulante". Para interpretar o papel do agente Avner, o ator australiano passou cerca de dois anos aprendendo a história e a política do Oriente Médio, e treinando falar com sotaque israelense.
- Tendo crescido na Austrália, a história e a política do Oriente Médio não foi algo que estudei na escola, então esta era uma área em que eu realmente quis me concentrar.
Segundo ele, ter encontrado o agente do Mossad que serviu de modelo para seu personagem foi muito proveitoso.