Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Críticas a Gilmar Mendes são cada vez mais desconcertantes

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes está com sua imagem cada vez mais desgastada junto à opinião pública brasileira. Personagem de um bate-boca na última sessão plenária do colegiado, nesta semana, com o ministro Joaquim Barbosa, o ministro tem sido alvo de críticas contundentes de seus próprios colegas e entra na linha de tiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). (Leia Mais)

Sexta, 24 de Abril de 2009 às 10:40, por: CdB

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes está com sua imagem cada vez mais desgastada junto à opinião pública brasileira. Personagem de um bate-boca na última sessão plenária do colegiado, nesta semana, com o ministro Joaquim Barbosa, o ministro tem sido alvo de críticas contundentes de seus próprios colegas e entra na linha de tiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

"Truculento", "estrela", "exibido", "grosseiro", "pop star" e "brucutu", segundo reportagem do diário paulista O Estado de S. Paulo, em sua edição desta sexta-feira, são alguns dos adjetivos que alguns ministros e integrantes do CNJ usam para se referir a Gilmar Mendes. No STF, o fato de o presidente querer para si uma posição de líder intelectual e político, em um tribunal em que os ministros são iguais é uma das críticas apontadas pela Agência Estado (AE).

"Resumiu um ministro: Mendes age como presidencialista numa Casa que é parlamentarista. Nessa postura de liderança, avaliam alguns ministros, ele acabou por abrir diversas frentes de confronto, rivalizou com os demais Poderes e deixou o tribunal suscetível a críticas de todos os lados. Ao mesmo tempo, Mendes comprou briga com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal, o Ministério Público e juízes de primeira instância, após a Operação Satiagraha, que levou o ex-banqueiro Daniel Dantas à prisão, e, mais recentemente, com o Movimento dos Sem Terra (MST)", afirma o texto.

– Quem fala o que quer ouve o que não quer – foi o desabafo atribuído a um membro do Ministério Público Federal, depois do bate-boca, conforme relato apurado pelo Estado junto a ministros do STF.

"Além disso, ministros e integrantes do CNJ vinham reclamando do tratamento dispensado por Mendes nas sessões. A crítica é de que o ministro trata os colegas com descaso, em alguns casos de forma desrespeitosa. As consequências dessa forma de agir aparecem nas sessões e nas votações. Em março deste ano, por exemplo, uma proposta de Mendes por pouco não foi derrotada no plenário do CNJ. O ministro queria aprovar uma recomendação para que os juízes priorizassem julgamentos de conflitos agrários, uma forma de tentar coibir as invasões de terra pelo MST. Mas o ministro não apresentou previamente a proposta ou negociou com os colegas. Alguns conselheiros viram uma tentativa de Mendes de "enfiar goela abaixo" o texto"", continua a matéria. A votação ficou empatada em sete conselheiros contra e igual número a favor, precisando do desempate em favor de Mendes pelo voto do corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp.

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