O primeiro debate da eleição municipal de São Paulo, realizado nesta quinta-feira, foi marcado por críticas à atual administração e, ao mesmo tempo, pela elegância no tratamento entre os três candidatos que aceitaram participar do encontro. Os três líderes das pesquisas de opinião se recusaram a debater.
Luiza Erundina (PSB), Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT), e Francisco Rossi (PHS) compareceram ao debate promovido pela TV Globo, que teve uma hora e dez minutos de duração, e condenaram a ausência dos três principais concorrentes, a prefeita Marta Suplicy (PT), que disputa a reeleição, José Serra (PSDB) e Paulo Maluf (PP). Segundo a emissora, os três líderes disseram que não participariam de debates antes de agosto. A eleição será em outubro.
- Foi um bom começo do processo eleitoral. Lamentamos a ausência dos três candidatos, que se sentem eleitos porque têm a máquina do governo municipal e federal. Mas a população vai cobrar - afirmou Erundina ao final do programa.
Paulinho mencionou seu repúdio pela ausência de Marta, Serra e Maluf.
- Parece um pacto contra a cidade de São Paulo - disse ele.
Rossi também se referiu à formação de um pacto dos ausentes.
A mais recente pesquisa do Ibope, divulgada nesta semana, aponta Serra com 30 por cento das intenções de voto, Maluf com 24 por cento e Marta com 20 por cento . Erundina vem a seguir com 8 por cento, Rossi, 3 e Paulinho, 2 por cento.
Erundina, deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, demonstrou firmeza nas respostas aos principais temas debatidos: saúde, trânsito, impostos, moradia, desemprego, educação. Rossi, ex-prefeito de Osasco e ex-candidato ao governo do Estado de SP, mostrou conhecimento dos temas.
Já Paulinho, presidente da Força Sindical, preferiu centrar suas propostas no desemprego. Ao ser perguntado por Rossi sobre o estatuto da cidade, foi franco:
- Não tenho conhecimento. Esta cidade tem tantos problemas que é preciso se concentrar em alguns - respondeu, dizendo que, com criação de empregos, se resolvem os outros problemas.
Entre os principais temas da cidade, Erundina criticou uma das prioridades da atual prefeita, a de realizar grandes obras no trânsito. Ela afirmou que há outros problemas a serem atacados, como o desemprego e questionou a priorização do automóvel. Paulinho disse que as obras são positivas, mas reclama da integração entre os sistemas de transporte.
Outro carro-chefe da atual administração, os Centros Educacionais Unificados (CEUs) também merecerem crítica de Erundina. Para ela, os 21 centros já construídos têm pouca capacidade para alunos. Se eleita, ela promete manter mas não expandir os CEUs.
Ao ser perguntada por Rossi sobre sua posição em relação às invasões pelos sem-teto, Erundina deu sua resposta mais polêmica afirmando que não vai reprimi-las.
- Minha história nasceu da defesa da organização (de movimentos populares) - disse, sem receber crítica por parte de Rossi.
Ao menos Erundina e Paulinho prometeram acabar com as taxas de lixo e de iluminação criadas por Marta.