Criticado por usar de influência para empregar parentes em gabinetes da Câmara, o presidente Severino Cavalcanti (PP-PE) queixou-se do que chamou de perseguição da imprensa e afirmou que as notícias negativas acabam atingindo a imagem da instituição.
- Só tenho levado cacete. Já tenho história para contar. Diziam até que pediriam meu impeachment - afirmou Severino nesta terça-feira.
Mais cedo, Severino disse a líderes dos partidos na Casa que está presente nos noticiários de forma "mentirosa" e "mal-intencionada". Nos últimos dias, ele tem sido alvo de constantes críticas por contratar grande número de parentes para cargos comissionados na Câmara.
- Pelos meus erros eu respondo. Só não posso responder pelo exagero que colocam nas minhas costas, com notícias e dados mentirosos que acabam por atingir a própria instituição. A instituição Câmara dos Deputados não merece isso - disse a parlamentares.
Há alguns dias, ele havia justificado que os títulos universitários de seus familiares com cargos na Casa os credenciavam a assumir postos mesmo sem realizar concursos públicos.
Em discurso sobre a MP 232, que aumenta impostos para empresas prestadoras de serviço, Severino atribuiu parte de sua popularidade à iniciativa de ter se transformado num "porta-voz" do movimento contra a medida e pediu ajuda a empresários para melhorar a imagem da Câmara.
- Não aceitem críticas aos deputados. São críticas sórdidas. Eles (a imprensa) deturpam tudo. Deputado não tem nada a oferecer além de trabalho - argumentou.
A contratação de parentes está na mira da Procuradoria da República no Distrito Federal, que está investigando e tomando medidas para combater o nepotismo no Congresso.
A Procuradoria requisitou ao presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), por meio de ofício, que determine o afastamento provisório com a consequente suspensão do pagamento de salários dos parentes contratados até o julgamento final da representação.
- A prática de nepotismo configura, em tese, violação dos princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade administrativa - afirmam os procuradores no ofício.
O alvo inicial da Procuradoria são Severino Cavalcanti, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) e o senador Efraim Moraes (PFL-PB).
É possível que o mesmo procedimento seja estendido ao emprego de cônjuges de parlamentares, prática denunciada em reportagem deste fim de semana.
Os procuradores José Alfredo de Paula Silva e Luciano Sampaio Gomes Rolim citam reportagens publicadas na imprensa que relatam o emprego de parentes pelos parlamentares.
Criticado por nepotismo, Severino se diz perseguido
Terça, 29 de Março de 2005 às 11:53, por: CdB