Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2026

Crítica de cinema visada em Locarno

Sábado, 16 de Agosto de 2008 às 06:50, por: CdB

Um Outro Homem é um filme suíço que, por certo, não tem boa crítica suíça, porque mostra a caricatura de François, um jornalista suíço do interior, mau caráter que, obrigado a comentar os filmes exibidos no pequeno cinema dea sua cidade, não hesita em copiar as críticas publicadas numa revista francesa especializada.

Lionel Baier, o diretor, se defende de qualquer acusação de visar algum crítico em particular, mas explica que, na juventude conheceu muitos críticos, donde a inspiração para o filme.

“Quando jovem, trabalhava como projecionista do cinema Richemont, em Lausanne, nas sessões reservadas à imprensa com os filmes em lançamento, conta Baier. Ouvia suas conversas no bar, antes e após as projeções, e isso me fascinava!”

Perguntado se houve um caso parecido de plagiato na imprensa suíça, Baier respondeu afirmativamente, porém explicou não ter sido praticado por um jornalista mas por um pintor suíço, que vivia em Paris. Para obter a aceitação local entre os artistas, tal pintor começou a publicar críticas sobre pinturas, mas o texto era copiado de gente mais categorizada. Houve escândalo, mas isso já tinha servido para o pintor se infiltrar numa família abastada e casar-se mesmo com uma das filhas.

O filme tem, portanto, esse outro ângulo – François, o jornalista crítico de cinema plagiador consegue subir na profissão. Sem escrúpulos para copiar e publicar artigos de outro em seu nome, pouco se importa em ser o amante de uma jornalista de prestígio de Genebra, Rosa, que exerce sobre ele autoridade, e de ser seu marido quem lhe oferece um importante posto na imprensa local.

A relação que nasce de conversas sobre filmes entre Rosa e François torna-se  bastante tórrida e sexual com o plagiador aceitando satisfazer todos os caprichos da autoritária jornalista crítica de cinema, inclusive aceita lhe escrever seus artigos quando a amante está ocupada no cabeleireiro. Nessa altura, de tanto plagiar, François já aprendera também a escrever seus próprios artigos.

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