Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Crítica aplaude filme de Atom Egoyan em Cannes

Sexta, 13 de Maio de 2005 às 13:39, por: CdB

Dois pesos pesados do cinema, o americano Gus Van Sant com Last Days e o canadense Atom Egoyan com Where the Truth Lies, competiram nesta sexta-feira pela Palma de Ouro do Festival de Cannes.

Tendo como base o aplauso dos críticos, o vencedor foi Egoyan, cujo filme analisa as personalidades mais íntimas e secretas de dois comediantes muito populares no fim da década dos 50 nos Estados Unidos. A carreira desses dois homens acaba quando o corpo de uma mulher morta é encontrado no banheiro do quarto que dividem em um hotel.

Embora fiquem livres de suspeitas, nada será igual e pouco depois se separam. Cada um deles passa a ter uma carreira solo bem-sucedida, mas jamais voltam a mencionar o assunto da mulher morta nem entre eles nem com outros.

Quinze anos depois, nos anos 70, uma jornalista decide voltar a tratar do assunto para ficar famosa. Assina um contrato milionário com um dos comediantes para que ele conte em livro a verdadeira história e começa a descobrir os fatos que se escondem após a tragédia.

O filme policial de Egoyan tem uma excelente fotografia e uma grande interpretação de Kevin Bacon e Colin Firth nos papéis protagonistas.

Egoyan dá vida a uma intriga com múltiplas faces, em que ninguém é a pessoa que aparenta. O filme, no entanto, tem falta de sensibilidade. É como se todo o núcleo narrativo fosse só uma fórmula criada com o único objetivo de manter a tensão e o interesse dos espectadores.

Essa sensação tem origem, talvez, no fato de o longa-metragem ser uma adaptação do best-seller homônimo escrito por Rupert Holmes, um livro esquemático e estereotipado em que a verdade intrínseca da arte está ausente.

O conflito entre a mitologia pública e a história particular dos personagens se resolve com eficácia, mas de uma maneira um pouco fria e mecânica. De outro ponto de vista, o filme é uma espécie de visita guiada à fábrica de sonhos de Hollywood, onde as ilusões nascem na mesma velocidade em que morrem.

Como em seus outros filmes, Egoyan trata aqui da natureza equivocada da sexualidade, das diferenças entre a aparência e a realidade e a subjetividade da verdade.

Egoyan estudou relações internacionais e violão clássico na Universidade de Toronto. Rodou seu primeiro longa-metragem em 1984 (Next of Kin). Seus filmes mais conhecidos são Calendar (1993), Exotica (1994) e Ararat (2002).

Quanto ao filme de Gus Van Sant, diretor que há dois anos ganhou a Palma de Ouro em Cannes com o polêmico Elefante, grande parte da crítica acredita que se trata de uma tentativa fracassada, lenta e pretensiosa.

Segundo o diretor, o filme é uma reflexão sobre os demônios interiores que angustiam um jovem e talentoso músico nas últimas horas de vida. A obra, que tenta ser poética e realista ao mesmo tempo, é dedicada ao músico Kurt Cobain, morto em 1994.

Gus Van Sant disse após a projeção do filme que este e os dois últimos (Elefante e Gerry) têm certas semelhanças: desenvolvem-se em um lugar único e tentam romper certas convenções cinematográficas, como utilizar vários ângulos para filmar uma cena.

Os temas que o diretor escolhe são impressionantes por eles mesmos, independentemente do tratamento que recebem: o assassinato em massa em um colégio americano em Elefante e os últimos dias de um jovem em Last Days, mas o afã de provocar, de ser "original", neutraliza as emoções e somente fica uma leve sensação de engano e falsidade.

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