A "revolução" no ensino superior público brasileiro tem data para começar. No dia 15, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, apresentará um documento elaborado com outras pastas em que vai propor soluções para a crise financeira das universidades federais.
A discussão sobre o modelo de instituição que o País precisa, a "revolução" que vai fazer "o pau comer", como definiu o ministro da Casa Civil, José Dirceu, ficará para 2004. "Vamos apresentar propostas para a crise financeira primeiro. Sem dinheiro, não dá para fazer", disse Cristovam.
O ministro fez questão de deixar claro que o governo quer participação das universidades federais nesse debate "polêmico", outra classificação dada por Dirceu. "A revolução não vai ser definida arbitrariamente.
Vamos abrir a discussão nos próximos meses para chegar a uma proposta", explicou Cristovam. Participam da elaboração do documento, coordenado pelo Ministério da Educação, a Secretaria-Geral da Presidência e as pastas do Planejamento, Casa Civil, Fazenda e Ciência e Tecnologia.
A crise das universidades federais também tem afetado os hospitais universitários (HUs). Este ano, o governo liberou verba extra de R$ 100 milhões para o setor e autorizou a abertura de concursos para preencher 7.700 vagas técnico-administrativas. As medidas buscam corrigir a crise dos HUs, mas falta liberar R$ 65 milhões, verba aprovada em emenda no fim de 2002.
Mais uma vez, Cristovam tentou esclarecer a polêmica com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que considerou "partidarizado" o Mapa da Exclusão Educacional elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado pelo MEC.
O tucano atacou o ministro por ter chamado a atenção para o fato de São Paulo ser o Estado mais rico do País e liderar o ranking, em termos absolutos, de crianças de 7 a 14 anos fora da escola.
O ministro defendeu ações conjuntas entre municípios e governos estadual e federal. "Propus uma reunião para apresentar os números e discutir como cada cidade pode cadastrar as crianças", disse. "Temos números, agora precisamos dos nomes. Aí fica fácil colocar as crianças na escola".
Cristovam diz que 'revolução' no ensino só depois da crise
Domingo, 07 de Dezembro de 2003 às 22:02, por: CdB