Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Cristina Kirchner sai do hospital e inicia repouso pós-cirúrgico

Domingo, 13 de Outubro de 2013 às 07:35, por: CdB
cristina-kirchner.jpg
Argentinos assinam cartão de apoio à presidenta Cristina Kirchner, por seu pronto restabelecimento
A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, recebeu alta médica neste domingo, cinco dias após uma cirurgia para retirada de um coágulo do cérebro, e deve continuar em recuperação na residência oficial de Olivos. O boletim divulgado pela equipe médica informa que ela fará “repouso estrito” durante trinta dias, e não poderá viajar de avião até fazer novos exames. Os pontos na cabeça serão retirados daqui a cinco dias. O coágulo, entre a meninge e o cérebro, apareceu depois que a presidenta sofreu uma batida na cabeça em agosto passado. A tomografia computadorizada, feita na época, não registrou o hematoma, mas o sangue foi se acumulando aos poucos até pressionar o cérebro e provocar os primeiros sintomas: arritmia e formigamento no braço. A presidenta internou-se na segunda-feira (7) e o coágulo foi retirado no dia seguinte. A operação coincidiu com a reta final da campanha para as eleições legislativas, no dia 27 de outubro, que vai definir o apoio político à presidenta nos últimos dois anos de seu segundo mandato. Os resultados das primárias de agosto e das pesquisas de opinião indicam que o governo pode manter a maioria na Câmara dos Deputados, mas corre o risco de perdê-la no Senado. Se seguir a recomendação médica, Cristina Kirchner ficará afastada das duas últimas semanas de campanha e não poderá descansar em Calafate – a casa que tem na Patagônia argentina. Pesquisas O repouso recomendado por médicos à presidenta argentina tende a apresentar reflexos mais imediatos nas eleições parlamentares de 27 de outubro, quando os argentinos votarão para renovar 24 das 72 vagas no Senado e 127 das 257 da Câmara de Deputados. A eleição coincide com a metade do mandato de Cristina e pode servir de termômetro de sua popularidade. Como a Argentina enfrenta atualmente uma grave crise econômica, as perspectivas não são as mais favoráveis para o governo, que já viu a perda de apoio aos seus candidatos nas primárias eleitorais em agosto. A ausência de Cristina dos palanques ocorrerá, justamente, na reta final da campanha, mas isso não significa necessariamente perder votos. – O argentino é muito sentimental – veja o exemplo do tango. Quando Cristina passou a aparecer de preto depois da morte de seu marido, cresceu em popularidade. Sua cirurgia agora dá um toque dramático às eleições – afirmou a jornalistas o argentino Mario Sacchi, professor de Relações Internacionais da Faap. Segundo pesquisa de opinião da Polldata, publicada no final de semana no diário conservador portenho Clarín, 61,4% dos argentinos acreditam que a cirurgia de Cristina não afetará a forma dos eleitores votarem, 14,6% dizem que favorece o governo, enquanto 11,8% dizem que favorece a oposição. Como a presidente ainda pretende tentar aprovar uma emenda constitucional que permita que ela concorra mais uma vez à reeleição - ela já está no segundo mandato consecutivo -, cada posto conquistado por seus aliados será importante. No entanto, com ou sem doença, esse desejo deve ficar ainda mais difícil de ser realizado após a eleição.
Tags:
Edições digital e impressa