Especialista em finanças do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibemec), Ricardo Rocha prevê que a economia brasileira poderá atingir crescimento, em 2009, entre 2,5% e 3%. Ele considera, porém, que há ainda muita dependência de “como os países desenvolvidos vão conseguir se livrar dos efeitos da crise financeira internacional”, marcada pela falta de liquidez,em efeito cascata após o rombo na carteira imobiliária dos Estados Unidos.
Ao fazer uma análise do que foram os últimos três anos no Brasil, Rocha destacou que, nesse período, houve uma ascensão econômica, sobretudo das famílias das classes D e E , que subiram na estratificação social para a classe C. No entanto, ele alertou que qualquer fragilidade que venha a ocorrer no setor produtivo, será justamente na população pobre, que irá sentir primeiro a queda de renda.
– Até o momento, as estatísticas não permitem dizer que a classe C foi afetada totalmente pelo desemprego, mas se a crise se acentuar, eles serão os mais afetados pelos cortes e, pior do que isso, serão os que mais perderão renda – disse.
A boa fase da economia brasileira, segundo Ricardo Rocha, esteve ancorada no excesso de liquidez da economia internacional. Ele considera que o Brasil “não tem poupança interna”, por isso fica mais vulnerável ao que poderá vir daqui para a frente, mesmo tendo obtido certa estabilidade macroeconômica, que fez gerar maior oferta de crédito e todos os resultados de um bom desenvolvimento no mercado doméstico.
– O trabalhador conseguiu manter estabilidade no emprego, acesso ao crédito consignado, que também pôde ser obtido por aposentados e pensionistas – salientou Rocha. Todo esse quadro, avaliou, foi possível graças ao movimento de entrada de capital externo tanto por meio de bolsas de valores quanto no que se refere à entrada do capital estrangeiro para investimento direto.
Dados do Banco Central indicam que de janeiro a novembro de 2007, o Brasil atraiu, só em investimento estrangeiro direto, US$ 34,58 bilhões e, no mesmo período de 2008, US$ 36,9 bilhões, com uma projeção de encerrar o ano na casa dos US$ 40 bilhões. Para 2009, a previsão é de que haverá um recuo, passando para US$ 30 bilhões.
No último dia 19, o diretor do Banco Central, Altamir Lopes, informou que em outubro deste ano, houve saída de investimento estrangeiro em ações de empresas brasileiras que alcançaram US$ 6,065 bilhões em outubro, US$ 1,762 bilhões em novembro e US$ 480 milhões nos dados preliminares de dezembro. No que se refere às aplicações de renda fixa, as saídas somaram US$ 300 milhões no mês de novembro e US$ 250 milhões em dezembro.
Ainda de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central no último dia 23, com as medidas tomadas pelo governo federal para manter a oferta de crédito em alta, houve aumento no volume das operações do sistema financeiro de 32,8% nos últimos 12 meses. Em novembro, o saldo total dos empréstimos alcançou R$ 1,2 bilhão, 2% sobre o mês anterior e valor correspondente a 40,3% do Produto Interno Bruto (PIB) ante 39,6% em outubro e 33,6% em novembro de 2007.