As autoridades tailandesas mobilizaram, nesta quinta-feira, veículos blindados para interditar ruas e tentar coagir milhares de manifestantes acampados no centro da capital, em meio à pior crise política em duas décadas no país. O Exército posicionou seus blindados em postos de controle, impedindo os manifestantes de entrarem no seu acampamento fortificado de 300 hectares. Os militares aconselharam as empresas da área a não abrirem na sexta-feira.
Mais de 20 mil manifestantes, a maioria pobres de origem camponesa, leais ao ex-premiê Thaksin Shinawatra, estão acampados por detrás das cercas de estilo medieval, feitas com pneus, paus embebidos em querosene e arame farpado.
– Vamos deslocar grupos para cercar esses veículos e impedir que eles avancem. Acreditamos que o Exército vai tentar reprimir hoje à noite ou amanhã de manhã – disse Jatuporn Prompan, um líder dos manifestantes, a seus seguidores.
As empresas dispensaram seus funcionários mais cedo na quinta-feira e ativaram planos de contingência. Várias estações do metrô suspenso fecharam mais cedo, e ônibus estão sendo desviados para outras áreas. A crise, iniciada há dois meses, já matou 29 pessoas e feriu mais de mil, além de paralisar partes de Bangcoc e reduzir o crescimento da segunda maior economia do Sudeste Asiático. Os manifestantes exigem a realização de eleições antecipadas.
Uma pesquisa divulgada na quinta-feira mostrou abalo à confiança do consumidor, sugerindo menor consumo no varejo, setor responsável por metade da economia. Segundo a Câmara de Comércio da Universidade dos Tailandeses, o indicador teve queda recorde de 2,6 pontos em abril, chegando ao menor índice desde julho de 2009. Após uma fase de elevação, o índice já sofreu três quedas mensais consecutivas. O anúncio do Exército fez a cotação do Bart cair imediatamente.
– Todos os bancos estão tentando sair do baht agora, e não vimos nenhuma intervenção do Banco Central para desacelerar sua queda – disse um operador financeiro em Bangcoc. Outro relatou que seus clientes encerraram o expediente mais cedo na quinta-feira.
Testemunhas disseram que não há nenhuma movimentação excepcional em torno do acampamento dos manifestantes, que ignoraram o prazo dado pelo governo – até a 0h – para se dispersarem, já que o governo não cumpriu sua ameaça de cortar o abastecimento de água e energia no bairro, por causa da reação negativa dos moradores.