Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Crise reforça popularidade de Lula, apontam pesquisas

Segunda, 15 de Dezembro de 2008 às 17:03, por: CdB

A crise financeira global não abalou a avaliação positiva do governo e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontaram nesta segunda-feira pesquisas encomendadas pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ao contrário, a turbulência econômica reforçou a popularidade do governo, e a população mostrou que confia em Lula para enfrentar as dificuldades decorrentes da crise. As sondagens mostraram, no entanto, que a população está mais preocupada com os rumos da economia do país.

Segundo as pesquisas, apesar da piora na percepção do brasileiro em relação à renda, à inflação e ao desemprego, a maior parte dos entrevistados apóia as medidas do governo para combater a crise e disse acreditar que o Brasil sairá mais fortalecido dela.

- A crise aparece como um elemento que reforça a avaliação positiva do governo - declarou a jornalistas o diretor de Relações Institucionais da CNI, Marco Antonio Guarita.

- Boa parte da população conhece a crise e entende que as medidas do governo contra a crise representam impactos positivos ao próprio governo - acrescentou.

- Existe um voto de crédito ainda - disse Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, que realizou a sondagem para a CNT, em outra entrevista coletiva.

- As expectativas continuam positivas, mas a população está crescentemente apreensiva - afirmou.

De acordo com a pesquisa encomendada pela CNI ao Ibope, o governo do presidente Lula atingiu recorde histórico de avaliação, com 73% de aprovação. Na pesquisa anterior, em setembro, o governo Lula tinha 69% de aprovação, considerando os que o avaliam como ótimo ou bom.

Já a aprovação do presidente Lula subiu de 80% em setembro para 84% em dezembro.

A pesquisa CNT/Sensus revelou cenário semelhante. A avaliação positiva do governo em dezembro atingiu novo recorde de 71,1% ante 68,8% em setembro. O desempenho pessoal do presidente Lula foi aprovado por 80,3% dos entrevistados este mês frente aos 77,7% na sondagem anterior.

Emprego e renda

Segundo a pesquisa CNI/Ibope, a percepção em relação ao emprego piorou. O percentual de pessoas que temem um aumento elevado do desemprego nos próximos seis meses subiu de 10% em setembro para 17% em dezembro. O desemprego vai aumentar para 46%, ante os 30% apurados na última edição da pesquisa.

Além disso, 12 por cento dos entrevistados disseram que a própria renda vai diminuir no próximo semestre. Em setembro, tal receio era citado por 9 por cento.

- A população está mais preocupada com o aumento do desemprego e o aumento da inflação - disse Guarita.

Diferentemente do que acontece no empresariado, porém, a maioria do povo ainda não sofre os impactos da crise. Entre os entrevistados, 46% não alteraram, nem pretendem alterar, seus hábitos de consumo ou planejamento financeiro. Não alteraram ainda mas pretendem mudar 27%, enquanto que 20% já alteraram.

Só 29% disseram que já sentem os efeitos da crise em seu dia-a-dia. Entre as pessoas desse grupo, 26% afirmaram que têm dificuldades para pagar dívidas já contraídas. Outros 21% disseram que estão pagando juros mais elevados na aquisição de eletrodomésticos, carros ou motocicletas, enquanto 16% revelaram que perderam o emprego e 14% estão com dificuldades na obtenção de financiamento para a compra de imóveis.

A pesquisa CNT/Sensus também demonstra que as expectativas da população em relação a emprego, renda, saúde, educação e segurança pública começam a diminuir. Entre os entrevistados que ouviram falar ou acompanham os desdobramentos da crise (83,5%), 84,9% acham que o Brasil já está sendo atingido ou será afetado.

Ainda nesse grupo, 34,4% disseram que já foram pessoalmente prejudicados pela crise, enquanto 60,5% afirmaram que ainda não sentiram seus efeitos. E para 40% deste grupo, o Brasil não está preparado para enfrentar a crise, contra 37,9% que vêem o país em boas condições para enfrentá-la.

Eleição 2010

A pesquisa CNT/Sensus também voltou a aferir os sentimentos da população para a próxima eleição presidencial. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), permanece à frente na disputa e aparece como o candidato mais forte da oposição. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que tem o apoio do presidente Lula para se candidatar, está em terceiro lugar.

Em uma simulação contra a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), Serra ficou com 46,5% das intenções de voto, ante os 45,7% apurados em setembro. Dilma passou de 10,0% para 10,4% no período, ficando atrás da adversária, que se manteve estável com 12,5%.

A ministra teria desempenho parecido se a disputa fosse contra o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). O tucano receberia 25,3% dos votos, uma alta contra o resultado de 22,4% apurado em setembro. Neste cenário, Heloísa Helena passou de 21,2% para 19,1%, enquanto Dilma oscilou de 12,3% para 12,9%.

Em um eventual segundo turno, Serra e Aécio venceriam a eleição contra Dilma. O governador paulista receberia 53,7% dos votos, contra 14,5% de Dilma. A vitória de Aécio seria mais apertada: 32,3% contra 20,2%.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 8 e 12 de dezembro, com 2 mil entrevistas feitas em 136 municípios. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Já a pesquisa CNI Ibope foi feita de 5 a 8 de dezembro em 141 municípios, com 2.002 entrevistas. Sua margem de erro é de dois pontos percentuais.

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