Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Crise político-econômica na Venezuela continua a se agravar

Sexta, 11 de Abril de 2003 às 10:26, por: CdB

Um ano depois da frustrada tentativa de deposição do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, o país continua atravessando uma grave crise política, econômica e institucional. Para o FMI (Fundo Monetário Internacional), a economia venezuelana sofrerá uma contração de 17% este ano, em meio a uma inflação projetada em 40%. A recuperação da economia esbarra na animosidade entre os grandes empresários e o presidente Chávez, enquanto a oposição pressiona pela antecipação das eleições presidenciais. Esse cenário complicado deverá estar na pauta do encontro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manterá com o presidente venezuelano no próximo dia 27, em Recife. Por sua posição geopolítica, a Venezuela é de grande relevância para o Brasil, diz o economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall, que há duas semanas acompanhou em Milão um painel sobre a situação venezuelana durante a reunião anual do Banco Inter-americano de Desenvolvimento (BID). Para dar uma idéia da amplitude da crise econômica da Venezuela, ele lembra que, olhando para a história recente, nos últimos cem anos, não se encontra registro de outro país que tenha sofrido uma queda tão drástica do PIB (Produto Interno Bruto) a não ser em caso de bloqueio grave das atividades ou guerra. O Citibank está prevendo que, depois de encolher 8,9% no ano passado, a economia venezuelana diminuirá 12,1% este ano, acumulando, portanto, queda de 20% em dois anos. A Venezuela é o maior produtor de petróleo da América do Sul e um grande exportador do produto tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil, o que reforça sua importância estratégica para o continente. No ano passado, a Venezuela representou a sexta maior fonte fornecedora de petróleo para a Petrobras, com vendas estimadas em 10,28 mil barris por dia ao Brasil. Exatamente por conta da recuperação da produção de petróleo, que ficou praticamente interrompida em dois meses de greve (dezembro e janeiro), a economia venezuelana deverá evitar um desastre maior este ano, de acordo com o Latinwach, relatório mensal do BBVA sobre a economia dos países latino-americanos. Segundo o relatório, o PIB petroleiro do país deverá passar de -28,4% estimados anteriormente para -11,7%. "Isso vai provocar uma melhora do PIB total de 4,6 pontos porcentuais", escrevem os economistas do BBVA. No entanto, o setor petroleiro ainda terá comportamento ruim por causa do choque de oferta, associado ao controle de câmbio adotado pelo governo do presidente Hugo Chávez há pouco mais de 2 meses. Para os economistas, isso é ruim, principalmente em uma economia na qual 50% a 60% do que é consumido é importado. Para o BBVA, essa situação provocará uma queda do PIB não-petroleiro de pelo menos 12,7%, ante os 7,2% estimados anteriormente. "O pior desempenho do setor não-petroleiro piorará o PIB total em pelo menos 5,3 pontos porcentuais." Com isso, o efeito líquido resultante da melhora do setor petroleiro e do pior desempenho do não-petroleiro implicará queda adicional do PIB de 0,7 ponto será uma retração de 12,3% do PIB, diz o relatório. Os economistas acreditam também que a recessão deverá provocar um aumento de 6 a 7 pontos percentuais na taxa de desemprego, o que, por sua vez, fará o consumo real sofrer uma contração de 8,1%, para acumular no período 2002/2003 uma queda de 15%. A forte retração na demanda do mercado venezuelano afetará o comércio com o Brasil, que vinha crescendo até o agravamento da crise no país. A única boa notícia nas previsões sobre o Venezuela talvez seja o aumento das reservas internacionais em pelo menos US$ 2,6 bilhões este ano, para US$ 14,1 bilhões, segundo o BBVA. Essa folga das reservas internacionais tem o efeito de tranquilizar um pouco o mercado, diante do plano anunciado pelo presidente Chávez de reestruturar a dívida externa. Com esse nível de reservas e superávit nas transações correntes, a Venezuela está numa situação confortável para cumprir os compromissos da dívida, pelo menos no que se refere aos venc

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