A crise do subprime, mercado de hipotecas de risco nos EUA, ainda "levará tempo" para ser resolvida e o setor imobiliário norte-americano sairá gradualmente do abalo que, segundo analistas financeiros, ainda não chegou ao fim. A constatação é do diretor do Banco Central daquele país, o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês) Randall Kroszner, em conversa com jornalistas internacionais, ao deixar uma palestra, nesta quinta-feira.
- Haverá uma recuperação do mercado imobiliário, mas levará tempo e vai requerer uma disciplina regulatória e de mercado mais rígida - disse.
O Fed, ainda segundo Kroszner, encara o número ascendente de processos de despejo naquele país como um "problema urgente". O banco tem buscado soluções heterodoxas na tentativa de ajudar aos proprietários de imóveis residenciais com hipotecas de risco. Estes, geralmente, também vivem outros problemas financeiros. O centro do problema, diz o diretor, é a desproporção entre os valores das propriedades e os das hipotecas, somada à queda nos preços dos imóveis nos últimos meses.
- Estes estão entre os fatores centrais da recente alta na inadimplência e nos despejos. Tomados individualmente, esses fatores de risco podem não ter elevado significativamente a probabilidade de um proprietário atrasar seus pagamentos, mas em conjunto, no entanto, esses riscos aumentam essa probabilidade - afirmou, semana passada, ao chegar para uma reunião de proprietários em dificuldades, em Cincinnati, no Estado de Ohio.
Kroszner apóia sua tese em uma pesquisa do Federal Reserve de Boston (uma das 12 divisões regionais do BC norte-americano). O estudo aponta a relação entre os proprietários que viram uma queda de 20% ou mais nos preços de seus imóveis e a probabilidade 14 vezes maior de atrasar os pagamentos de suas hipotecas. Aqueles que obtiveram uma elevação de preços de 20% em suas propriedades têm um risco menor de inadimplência.
O executivo acredita que um refinanciamento tradicional das hipotecas em atraso deixou de ser uma opção e o Fed tem pedindo às instituições concessoras de crédito que busquem maneiras de evitar os despejos.
- Ajustes temporários de pagamentos podem não ser suficientes e simples reduções mais permanentes de taxas de juros ou extensões dos prazos dos financiamentos podem ser necessários para ajudar o devedor - afirmou.
Nos EUA, durante o primeiro trimestre deste ano, 649.917 proprietários já receberam ao menos uma notificação referente a ação de despejo em curso, o que significa um aumento de 112% em comparação aos 306.722 no primeiro trimestre do ano passado, diz a pesquisa.
A redução da oferta de crédito para pessoas com histórico de inadimplência tem desacelerado o crescimento do risco de despejos.
- É um ciclo que vai ser difícil quebrar e, com certeza, não estamos no ponto de ruptura ainda - concluiu.