AAssembleia Geral da ONU adotou a modalidade da Conferência dos Chefes de Estadodas 192 nações que a compõem para discutir assuntos de suma gravidade. Napróxima, em inícios de junho, ocupará o centro das preocupações a crise econômicamundial. Desencadeada pelos países ricos do Norte, tem produzido verdadeiradevastação em países pobres. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) falaem mais de 50 milhões de desempregados em menos de um ano.
Noinício parecia uma marola. Agora levanta a cabeça tsunâmica. Já não seencontram soluções a partir unicamente dos interesses dos G-8 ou mesmo dosG-20. Toda a humanidade se vê envolvida.
Acrise financeira mostrou a ponta do iceberg das crises de energia, de produçãode alimentos, do aquecimento global, do desequilíbrio do consumo, da injusta distribuiçãode rendas e do acesso desigual aos bens.
Noentanto, a maior delas, embora menos citada e menos palpável no bolso, aconteceno nível de humanidade. Em que consiste tal crise e que sinais a denunciam? Ahumanidade nesse mais de milhão de anos, depois que descemos da árvore, aodeixar para trás a noite escura da pura animalidade pela luz da razão, temmostrado avanço na descoberta das exigências da nossa condição humana. Não sepercorreu uma trajetória retilínea em direção ao sonhado ponto ômega deTeilhard. Mas, grosso modo, avançamos em humanidade apesar de escuros momentosde barbárie em todas as idades. Mesmo no século XX, que despontava com enormespromessas ao ver o ser humano andando pelas entranhas da terra em Paris,conhecemos duas guerras mundiais, campos de concentração, gulags, indústriaarmamentista assassina.
Aarte, a educação, milhares de manifestações de convivência humana semeiam deesperança a caminhada da humanidade. O socialismo tentou um sistema justo dedistribuição de bens materiais, mas esqueceu o homem novo que se constrói naliberdade e na compreensão. Agora coube ao neoliberalismo mostrar sua extremadesumanidade. E ela está no centro da crise.
NoOcidente, habituamo-nos a creditar os erros à ignorância. A deusa Razão, que seimpusera na modernidade,anunciava-se capaz de corrigir os erros, abrir as inteligências e gerar sociedadejusta e fraterna.
Esquecemo-nos,porém, de que o ser humano se move não só pela razão, mas por motivações àsvezes monstruosas. Haja vista a atual crise de humanidade, visibilizada peloaumento da violência das guerras externas e internas. E soma-se a elas a pragada droga a circular triunfante por todo o mundo, arrastando bilhões de dólarese jogando na escuridão do vício a flor da juventude.
Seráque a reunião dos 192 chefes de Estado ultrapassará os horizontes fechados dacrise financeira para perceber que está em jogo novo paradigma de existênciapara toda a humanidade?
[Autor,entre outros, de "Em busca de lucidez”; ww.jblibanio.com.br].