Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Crise na Europa completa um ano e está pior do que nunca

A economia europeia contraiu-se no primeiro trimestre para o que pode ser o pior patamar da recessão, enquanto as fracas exportações e investimentos na Alemanha e a forte queda na produção em outros países aceleraram o ritmo da retração que já dura um ano. (Leia Mais)

Sexta, 15 de Maio de 2009 às 09:57, por: CdB

A economia europeia contraiu-se no primeiro trimestre para o que pode ser o pior patamar da recessão, enquanto as fracas exportações e investimentos na Alemanha e a forte queda na produção em outros países aceleraram o ritmo da retração que já dura um ano. Estimativas oficiais divulgadas nesta sexta-feira mostraram que o primeiro trimestre foi o pior da história da Europa, ainda que mais pesquisas recentes sobre a atividade comercial tenham sugerido que o início de 2009 pode contar com os piores números da primeira recessão global desde a Segunda Guerra.

– Apesar de nós ainda não estarmos perto do pico do desemprego, nós podemos seguramente assumir que o primeiro trimestre foi o pior em termos de ritmo de declínio – disse Martin van Vliet, economista do banco ING.

O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro retraiu 2,5 % ante o último trimestre de 2008, de acordo com a agência de estatísticas Eurostat.

– Os mais recentes números do PIB devem, entretanto, marcar o fundo do poço da atual Grande Recessão – afirmou Alexander Koch, economista do banco UniCredit.

O PIB da Alemanha teve a maior contração trimestral desde a reunificação do país em 1990, afundando 3,8 % na mesma base de comparação, muito mais que o previsto, segundo a agência. Na França, a queda também foi forte, mas menos dramática. A economia do país exibiu retração de 1,2 % comparada com o trimestre anterior, mostraram dados oficiais, enquanto a da Itália teve declínio de 2,4 %, maior desde 1980.

Economistas previam um desempenho ruim, mas menos dramático, de 2 % na zona do euro, após baixa de 1,6 % no trimestre anterior e declínios não menos alarmantes nos países do leste europeu, fora da zona do euro. O PIB da República Tcheca e da Hungria mostraram as maiores baixas desde o início das medições.

Pior ainda

O declínio europeu é compartilhado pelo mundo industrializado e até mesmo pela China que, apesar de conhecida pelo rápido desenvolvimento, mostrou no primeiro trimestre o ritmo de crescimento mais lento da história. O PIB dos Estados Unidos apresentou queda pelo terceiro trimestre seguido pela primeira vez desde a recessão decorrente da crise do petróleo em meados de 1970, segundo dados oficiais divulgados em 29 de abril.

A retração de 6,1 % nos EUA, de acordo com o método local de medição, corresponderia a pouco mais de 1,5 % seguindo as referências europeias, o que mostra que o primeiro trimestre dos EUA, apesar de ruim, não foi tanto quanto o da Europa. A Grã-Bretanha --que não pertence à zona do euro, mas depende fortemente do comércio com os vizinhos membros-- teve no primeiro trimestre a maior queda trimestral do PIB desde 1979. A economia contraiu 1,9 % ante o trimestre anterior, de acordo com estimativa divulgada em 24 de abril.

Informações mais detalhadas sobre as economias da Alemanha e de muitos outros países europeus, assim como a primeira estimativa do primeiro trimestre para o Japão, devem ser divulgadas em 20 de maio. Pesquisas feitas com economias sugerem que o PIB japonês deve ter o pior desempenho desde a Segunda Guerra Mundial.

A economia global deve retrair-se em 1,9 % em 2009, de acordo com estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), que também prevê queda de 2,8 % no PIB dos EUA, de 4,2 % na zona do euro, de 6,2 % no Japão e de 4,1 % na Grã-Bretanha.

Para a economia da China, a projeção é de contração de 6,5 %, ante 9 % no ano passado.

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