Crise na base aliada seria apenas um 'desconforto' segundo Vaccarezza
Após ver a primeira reação concreta dos aliados no Congresso que, insatisfeitos, paralisaram a pauta de votações na Câmara na véspera, o governo entrou em campo para tentar conter o descontentamento de sua base aliada e evitar que a paralisia perdure por mais tempo.
Após ver a primeira reação concreta dos aliados no Congresso que, insatisfeitos, paralisaram a pauta de votações na Câmara na véspera, o governo entrou em campo para tentar conter o descontentamento de sua base aliada e evitar que a paralisia perdure por mais tempo. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), conversou com os líderes aliados na noite passada e colheu as insatisfações para tentar uma solução junto ao Executivo, em conversa com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ainda nesta quinta-feira.
– Vou admitir que há uma suposta crise na base – disse a jornalistas, acrescentando que não acredita que o "desconforto" generalizado perdure por muito tempo, "porque não vivemos uma crise de oposição", argumentou o líder governista.
Nesta manhã, Salvatti reuniu-se com o senador Renan Calheiros, líder do PMDB no Senado, e toda a bancada de seu partido para ampliar os contatos com todos os ministros e dirigentes das principais estatais do país com os parlamentares do Partido. A reunião foi realizada no gabinete da liderança do PMDB. Renan fez questão de enfatizar à ministra os objetivos do encontro e sua satisfação em promover tais reuniões com a maior frequência possível.
Na véspera, durante o que chamou de um "diálogo franco e aberto com a ministra", a presidenta Dilma Rousseff garantiu que a “aliança prioritária do governo é com o PMDB, e o partido terá toda a solidariedade do governo sempre que atacado”. Ideli Salvatti afirmou ter recebido orientação da presidenta, que “não podemos perder o foco: a ordem é enfrentar a crise internacional”.
Ao ouvir os agradecimentos do líder Renan sobre o êxito do encontro, e da gentileza da presença da ministra, Ideli Salvatti garantiu que a aliança PT/PMDB é “a espinha dorsal do governo”.
Telefonemas
Na tentativa de frear a reação da base aliada às ações do governo contra a corrupção e ajudar na missão de Vaccarezza, Salvatti também disparou telefonemas para caciques do Partido da República, a legenda mais insatisfeita e que ameaça desembarcar da coalizão, para acalmar os ânimos aliados. Ela também foi ao Senado conversar pessoalmente com o presidente do PR, o senador Alfredo Nascimento, que deixou o ministério dos Transportes em julho depois de denúncias de corrupção, e com o senador Blairo Maggi (PR-MT).
– Nós não somos oposição ao governo. Mas nossa situação na base será discutida no futuro – disse à agência inglesa de notícias Reuters o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG).
A MP que deixou de ser votada na Câmara coloca o setor de etanol sob regulação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e promove mudanças na gestão dos Correios. Mas o adiamento da votação desta MP pode ser apenas o início dos problemas para a presidente Dilma Rousseff que tem dado pouca importância à relação com o Congresso, na avaliação dos descontentes.
Segundo relato de um assessor parlamentar que participou da reunião entre o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e os líderes de todos os partidos para definir a pauta de votações desta quarta e dos próximos meses, o clima era de irritação total. Principalmente entre os aliados, disse a fonte, que pediu para não ter seu nome revelado.
A insatisfação dos parlamentares aliados é constituída por vários aspectos, entre eles a recente operação da Polícia Federal, que prendeu integrantes do Ministério do Turismo, a falta de liberação de emendas parlamentares do Orçamento deste ano e a reação de Dilma de afastar aliados de cargos no governo após as denúncias mos ministérios dos Transportes e Agricultura.
No caso das emendas, a área política do governo ainda tenta convencer a equipe econômica da necessidade da liberação de pelo menos R$ 1 bilhão do Orçamento deste ano e Ideli disse aos deputados que um calendários de pagamentos deve ser concluído até o final do mês. Um auxiliar próximo à presidente avalia, sob a condição de anonimato, que o governo está sendo arrastado pelo noticiário de denúncias contra os ministérios justamente por não ter uma agenda política conjunta com o Congresso.
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