Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Crise mundial impacta em índice inflacionário brasileiro

Quarta, 21 de Janeiro de 2009 às 10:01, por: CdB

 A deflação de 0,58% constatada na segunda prévia de janeiro do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) foi influenciada pela retração da economia mundial, em função da crise financeira. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Segundo ele, entre os efeitos da crise sobre a economia do país está a queda dos preços de produtos industriais, que neste levantamento apresentaram recuo de 1,37%, após queda de 0,32% no mesmo período de dezembro. Os números foram divulgados hoje (21) pela FGV.

– A gente já vem detectando queda de preços, sobretudo nos produtos da indústria, desde dezembro, mas em janeiro ela se aprofundou. Isso tem a ver com a crise internacional, que tem feito com que muitos produtos importantes tenham seus preços reduzidos, como o petróleo. E [isso] traz impacto sobre os preços dos combustíveis, dos metais, entre outros. Esses produtos estão em queda forte no mundo todo e o Brasil não está isolado. Demorou um pouco, mas também estamos sentindo os efeitos (da crise) – explicou.

O analista destacou ainda como fator para a desaceleração do IGP-M a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciado pelo governo em dezembro. Segundo ele, embora seja uma medida interna, também veio como conseqüência da crise no setor financeiro.

– Foi uma medida que o governo tomou para tentar enfrentar uma crise de dificuldade de vendas. A redução do IPI é o melhor exemplo de como se deu a contribuição doméstica para o recuo do IGP-M nesta leitura – acrescentou.

Segundo o levantamento da FGV, os veículos e acessórios, no âmbito do Índice de Preços por Atacado (IPA) passaram de alta de 0,73% na segunda prévia de dezembro para queda de 8,31% neste levantamento. Este item foi o que mais contribuiu para o recuo de Bens Finais, cuja taxa passou de –0,20% para –0,86% neste período.  O coordenador de Análises Econômicas do Ibre destacou que, embora a fundação não faça projeção sobre os resultados futuros relacionados à inflação, ele acredita que o IGP-M feche janeiro em desaceleração, pois neste levantamento já está computado o movimento dos preços relativos a um terço do mês.

– Com essa prévia já temos uma boa parte do mês computado com taxa negativa, então eu acredito que vá continuar por aí – afirmou.

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