Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Crise mundial do capitalismo vai lançar 90 milhões de pessoas na miséria

A recessão econômica reverteu 20 anos de declínio da pobreza mundial e deve colocar em 2009 mais 90 milhões de pessoas no ranking dos que passam fome no planeta, um aumento de 6% em relação aos dados atuais, informou a ONU nesta segunda-feira. Relatório sombrio sobre um programa desenvolvido há dez anos pela ONU indica que 17% dos 6,8 bilhões de habitantes do mundo estarão extremamente pobres no fim de 2009. (Leia Mais)

Segunda, 06 de Julho de 2009 às 08:31, por: CdB

A recessão econômica reverteu 20 anos de declínio da pobreza mundial e deve colocar em 2009 mais 90 milhões de pessoas no ranking dos que passam fome no planeta, um aumento de 6% em relação aos dados atuais, informou a ONU nesta segunda-feira. A estimativa, apresentada num relatório sombrio sobre um programa desenvolvido há dez anos pela ONU para conduzir países pobres ao desenvolvimento até 2015, indica que 17% dos 6,8 bilhões de habitantes do mundo estarão classificados como extremamente pobres no fim de 2009.

"Em 2009, entre 55 a 90 milhões de pessoas a mais do que o previsto antes da crise estarão vivendo em extrema pobreza", diz o relatório, apresentado em Genebra pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. Intitulado Relatório de Metas de Desenvolvimento do Milênio, o documento também alerta que o recente declínio na ajuda externa – apesar das promessas de países ricos de aumentar o fluxo de recursos – provavelmente vai causar mais doenças e agitação social no hemisfério sul.

Em um discurso no Conselho Econômico e Social da ONU (Ecosoc, na sigla em inglês), Ban fez um apelo às nações industrializadas do Grupo dos Oito para que aumentem a ajuda, especialmente para a África, no próximo ano, dizendo que as promessas feitas por eles anteriormente ficaram aquém do anunciado.

– Faço um chamado ao G8 para explicitar, país por país, como os doadores ampliarão a ajuda à África no próximo ano. A credibilidade do sistema internacional depende de quanto os doadores aportarão. A decência humana e a solidariedade mundial exige que nos unamos pelos pobres e os mais vulneráveis entre nós – disse Ban durante encontro do G8, em Aquila, cidade no centro da Itália, do qual ele participará.

Em uma cúpula na Escócia, em 2005, líderes do G8 prometeram elevar a assistência aos países em desenvolvimento a cerca de US$ 50 bilhões até 2010, da qual metade iria para a África. Mas a ajuda "continuou sendo de pelo menos US$ 20 bilhões a menos do que a meta fixada em Gleneagles", na Escócia, disse ele.

Os recursos poderiam ajudar a mudar muitas vidas, mas o atraso na entrega combinado às mudanças climáticas e à crise financeira estão reduzindo o progresso nos países pobres, afirmou Ban no início de três semanas de reuniões do Ecosoc, em Genebra. As pessoas que vivem na pobreza – definida pela ONU como as que têm rendimentos de menos de US$ 1,25 por dia – já sofreram bastante com a crise financeira e econômica nos últimos dois anos.

De acordo com dados da ONU, em 1990 a proporção de pessoas que passavam fome era de 20% da população mundial, mas em 2005 caíra para 16% – número que refletiu o aumento da prosperidade, especialmente na Ásia, estimulada pela expansão do comércio mundial. A reversão começou em 2008, em parte como consequência do aumento dos preços dos alimentos no mundo, diz o relatório. Embora o custo dos produtos básicos tenha voltado a cair por volta do fim do ano passado, isso não tornou os alimentos mais acessíveis para a maioria das pessoas no mundo.

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