Crise hídrica: Ativista defende recuperar mananciais e combater perda
Samuel Barreto, da ONG Conservação da Natureza (TNC), afirma que a solução da crise hídrica de São Paulo está em mudar tanto a gestão de demanda, quanto melhorar a oferta do recurso. "Não basta buscar outros mananciais, é preciso recuperá-los, combater a perda de água, reformular o conceito das unidades de medida de água", disse à Rádio Brasil Atual.
O Sistema Cantareira opera com 3% de sua capacidade hídrica
Samuel Barreto, da ONG Conservação da Natureza (TNC), afirma que a solução da crise hídrica de São Paulo está em mudar tanto a gestão de demanda, quanto melhorar a oferta do recurso. "Não basta buscar outros mananciais, é preciso recuperá-los, combater a perda de água, reformular o conceito das unidades de medida de água", disse à Rádio Brasil Atual.
Barreto indica que é preciso implementar uma logística de reutilização da água. "É preciso ampliar e colocar outras medidas de contenção, de controle de consumo e, até mesmo, de proibir usos abusivos, porque a situação é crítica, é uma situação muito séria. Então, cada gota vai fazer a diferença, ainda mais em uma região que 85% do consumo é domestico", disse.
O especialista afirmou que, além da defasagem das estruturas da Sabesp, as áreas florestais no entorno do Sistema Cantareira foram desmatadas, tanto para a construção do Rodoanel, quanto para empreendimentos imobiliários. "Na medida em que você está removendo a cobertura florestal, tornando o solo mais exposto, provocando erosão, assoreamento, perda de capacidade de infiltração da água no solo, você está comprometendo todo um sistema", afirma.
O Estado de São Paulo vive a pior escassez de água da história. O Sistema Cantareira, que abastece 9,5 milhões de habitantes da região metropolitana da capital, opera com 3% de capacidade. Essa situação passou a comprometer outros sistemas, como é o caso do Alto Tiete, responsável pelo fornecimento para 4 milhões de pessoas e que opera com 8% de suas reservas hídricas.
Levantamento do Datafolha, divulgado no último dia 20, indica que 60% dos moradores da cidade de São Paulo sofreram com a falta de água nos últimos 30 dias. A Sabesp chegou ao ponto de utilizar a segunda cota do volume morto dos reservatórios do Cantareira, mesmo sem o aval da Agência Nacional de Águas (ANA).
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