Crise grega tem novo gestor mas se alastra na periferia europeia
Primeiro-ministro grego, George Papandreou nomeou um novo ministro das Finanças nesta sexta-feira, como parte de uma reformulação feita em meio à crise vivida pelo país com o objetivo de pressionar por duras reformas econômicas e evitar um calote da dívida do país que pode tumultuar a economia global.
Primeiro-ministro grego, George Papandreou nomeou um novo ministro das Finanças nesta sexta-feira, como parte de uma reformulação feita em meio à crise vivida pelo país com o objetivo de pressionar por duras reformas econômicas e evitar um calote da dívida do país que pode tumultuar a economia global. Papandreou escolheu o até então ministro da Defesa, Evangelos Venizelos para chefiar o Ministério das Finanças no lugar de George Papaconstantinou, arquiteto de um programa de aperto que provocou uma violenta reação nas ruas e revolta dentro do governista Partido Socialista.
A medida deve dar tempo ao combalido primeiro-ministro, mas não deve diluir o ceticismo com a capacidade da Grécia de implementar uma nova rodada de reformas profundas e dolorosas. A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional fizeram um novo pacote de resgate à Grécia, estimado em 120 bilhões de euros, que tem como condição o pacote de cinco anos avaliado em 28 bilhões de euros (39,59 bilhões de dólares) em cortes, aumento de impostos e privatizações proposto por Papandreou.
O novo ministro das Finanças grego diz que aceitou o cargo por "dever patriótico".
– O país deverá ser salvo e será salvo da grave crise financeira em que se encontra. Aceitei o cargo após um período de reflexão e com algumas dúvidas. Fi-lo porque considero que é um dever patriótico – afirmou aos jornalistas
Venizelos era o antigo ministro da Defesa e transitou para a pasta das Finanças com a saída de Georges Papaconstantinou depois da remodelação do Executivo helénico apresentada hoje pelo primeiro-ministro, Georges Papandreou. Para o premiê grego, Evangelos Venizelos dá todas as garantias para a "implementação de um programa particularmente doloroso e difícil de grande mudanças estruturais, que possam tornar a nossa economia viável nos próximos anos".
– Estamos também a colocar maior ênfase no crescimento – acrescentou o líder do governo grego.
A remodelação acontece no momento em que a Grécia se prepara para receber um novo resgate e em que crescem os temores de que o país entrará em default (calote da dívida externa).
Crise se alastra
A política de contenção da crise da dívida soberana na periferia da Europa, no entanto, piora as condições para a Grécia renegociar seus débitos e ameça com o contágio de uma fatia equivalente a 14% do PIB da União Europeia. Na Espanha, as manifestações se espalham por todo o país e o governo já acusa o golpe dos juros exigidos pelos seus títulos da dívida de dez anos, que dispararam na véspera para o valor máximo dos últimos 11 anos.
Os investidores não se acalmaram diante da notícia de que o FMI iria adiante com a sua parcela de 12 mil milhões de euros da quinta etapa do empréstimo que Atenas precisa de receber até Julho para evitar a falência - mesmo que a UE não tenha um compromisso quantificado que assegure o financiamento de Atenas nos próximos 12 meses (a condição necessária para o FMI libertar o dinheiro).
O contágio da Espanha, no entanto, fica evidente no momento em que os juros exigidos para os papéis de 10 anos saltaram para 5,66%, uma alta não apenas motivada pelo ceticismo dos mercados diante a situação grega, mas também pelo fato de o leilão de dívida espanhola desta quinta-feira não ter sido um sucesso total, pois foram colocados ao mercado 2,8 mil milhões de euros a 8 e a 15 anos, menos do que o limite dos 3,5 mil milhões anunciado).
Olli Rehn, o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, disse à agência norte-americana de notícias econômicas Bloomberg, na véspera, que espera um acordo sobre a nova ajuda à Grécia na próxima reunião dos ministros das Finanças da zona euro.
– Não vamos deixar a zona euro cair numa catástrofe. Tentaremos evitar um cenário de default e a abrir caminho para um acordo sobre uma estratégia de médio prazo – concluiu.
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