A Honda causou nesta sexta-feira um duro golpe à Fórmula 1, ao anunciar oficialmente sua desistência imediata da categoria, devido à necessidade de cortar custos num cenário de crise econômica global.
A segunda maior fabricante japonesa de automóveis, enfrentando forte queda nas vendas, informou que não está mais disposta a investir meio bilhão de dólares por ano na equipe da Fórmula 1.
O executivo-chefe da Honda, Takeo Fukui, disse que uma volta ao automobilismo deve demorar, e que não há planos de continuar nem mesmo como fornecedora de motores.
– Essa decisão difícil foi tomada recentemente, à luz do ambiente operacional em rápida deterioração que o setor automobilístico global enfrenta – disse Fukui.
– A Honda deve proteger as suas atividades essenciais e garantir o longo prazo, já que incertezas generalizadas na economia do mundo continuam a crescer – acrescentou.
O fim da Honda terá impacto direto no futuro dos pilotos brasileiros Rubens Barrichello, Bruno Senna e Lucas di Grassi, que disputavam um lugar na equipe para a temporada 2009. O britânico Jenson Button, que já estava confirmado, também pode acabar sem emprego.
Neste ano, Fukui havia dito à Reuters que gastaria "1 trilhão de ienes" (cerca de US$ 10 bilhões) caso isso garantisse uma Honda vitoriosa na F1. Agora, seu discurso mudou.
– A esta altura, não temos planos de voltar à F1. Não temos planos de fornecer motores para outras equipes. Não queremos estar metade dentro e metade fora do esporte – disse ele.
A Honda ainda tem algumas semanas para encontrar um comprador disposto a manter a equipe na próxima temporada, que começa em 29 de março, na Austrália. Segundo o chefão da categoria, Bernie Ecclestone, "muitas partes" já se mostraram interessadas em adquirir a escuderia.
– Adoraríamos continuar na Fórmula 1, mas simplesmente não conseguimos no atual clima financeiro – disse Fukui.
A exemplo de todas as grandes fábricas, a Honda vive uma redução global no seu faturamento, o que é especialmente dramático nos EUA, seu maior mercado, onde as vendas caíram 32 por cento em novembro.
– Sair da F1 terá um grande impacto em termos de corte geral de custos – disse o executivo.
– O mais importante para a Honda é ver onde estaremos nos próximos três a cinco anos – afirmou.
Outros participantes importantes da F1 também buscam reduções de custos para sobreviver, e a saída da Honda terá sérias implicações para o glamour do esporte. Outros fabricantes de automóveis que estejam na mesma situação da Honda - como a Toyota ou a Renault - poderiam fazer a mesma coisa.
Sem a Honda, o grid da categoria em 2009 fica com apenas nove equipes e 18 carros. Ainda há vagas para pilotos em algumas poucas equipes. Apesar dos seus recursos, a Honda teve um 2008 pífio, e depositava suas esperanças nas novas regras que devem nivelar as equipes a partir do próximo ano.
Button, que com a Honda venceu o GP da Hungria em 2006, marcou apenas 3 pontos neste ano. Barrichello fez 11. A equipe ficou em nono no Mundial de Construtores.
Crise global tira Honda da Fórmula 1
A Honda causou nesta sexta-feira um duro golpe à Fórmula 1, ao anunciar oficialmente sua desistência imediata da categoria, devido à necessidade de cortar custos num cenário de crise econômica global.(Leia Mais)
Sexta, 05 de Dezembro de 2008 às 08:07, por: CdB