Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Crise global não deve afetar abertura econômica, diz Lamy

A crise financeira global não deve provocar um recuo na abertura econômica global, disse na quarta-feira o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy. Segundo ele, as lições deixadas pela quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, e pela Grande Depressão subseqüente mostram que o protecionismo só piora as coisas. (Leia Mais)

Quarta, 24 de Setembro de 2008 às 09:55, por: CdB

A crise financeira global não deve provocar um recuo na abertura econômica global, disse na quarta-feira o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy. Segundo ele, as lições deixadas pela quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, e pela Grande Depressão subseqüente mostram que o protecionismo só piora as coisas.

– O atual furacão que atingiu os mercados financeiros não deve distrair a comunidade internacional da busca por mais integração e abertura econômicas. Numa crise financeira e numa época de perturbação econômica, em particular numa época de aumento dos preços alimentícios, o que os consumidores empobrecidos precisam desesperadamente é ver o seu poder de compra ampliado, em vez de reduzido – disse Lamy num fórum da OMC.

O chefe da OMC defende a conclusão da chamada Rodada Doha da abertura comercial global, lançada em 2001, mas praticamente abandonada neste ano devido à discordâncias entre países ricos e pobres a respeito de tarifas e subsídios agrícolas e da abertura de mercados industriais. Lamy disse que diplomatas buscam novamente, há duas semanas, um consenso nessas questões, depois do colapso das negociações ministeriais na OMC, em julho. A nova meta agora é obter um acordo agrícola e industrial até o final do ano, segundo ele.

Mas, ao contrário do que declarou na semana passada, Lamy desta vez não fez menção a uma nova reunião ministerial em Genebra nas próximas semanas, que necessariamente seria antecedida por algum tipo de avanço nas atuais discussões técnicas.

O principal entrave em julho e agora é a criação de um mecanismo de proteção a pequenos agricultores de países pobres, para funcionar em épocas de importações excessivas ou quebra de preços. Países ricos, especialmente os EUA, temem que isso gere distorções; nações em desenvolvimento, como a Índia, dizem que o mecanismo de salvaguardas é importante para garantir a subsistência de milhões de famílias rurais.

– Infelizmente não pudemos chegar a uma solução – disse um diplomata de um dos sete países que participam das reuniões preliminares.

O foco da Rodada Doha agora passa para uma série de consultas realizadas pelo embaixador da Nova Zelândia na OMC, Crawford Falconer, que tenta reduzir as diferenças em conversas com pequenos grupos de países envolvidos.

Mercado em convulsão

O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse nesta quarta-feira que os mercados financeiros globais estão sob um "stress extraordinário" e ameaça a já fraca economia dos Estados Unidos. Os comentários traçam o cenário mais negativo já feito por ele desde o início da crise de crédito no ano passado.

– A intensificação do estresse financeiro nas últimas semanas, que deixou os concessores de empréstimos ainda mais cautelosos sobre estender crédito a consumidores e empresário, pode abater significativamente o crescimento – disse Bernanke em discurso preparado para o Comitê Econômico Conjunto do Congresso.

Os riscos para as perspectivas de crescimento continuam sendo uma "preocupação significativa", acrescentou ele, pedindo aos parlamentares norte-americanos urgência na aprovação de um pacote de US$ 700 bilhões para o resgate do setor financeiro.

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