Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Crise financeira força corte de salários na Palestina

Domingo, 03 de Julho de 2011 às 07:14, por: CdB

Crise financeira força corte de salários na Palestina

RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - A Autoridade Palestina pode pagar a seus funcionários apenas metade dos salários deste mês por causa de uma queda na ajuda internacional que precisa para sua sobrevivência financeira, afirmou o premiê, no domingo.

Salam Fayyad apelou a doadores para cumprirem seus compromissos. O orçamento do governo dele depende de ajuda para pagamento de salários a 150 mil palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e benefícios mensais a outras 75 mil pessoas.

Fayyad identificou a queda no financiamento como vindo de Estados da região, em uma aparente referência aos países árabes, mas não informou de que governos estava falando.

"O que pretendemos fazer é pagar metade (dos salários) na expectativa de que possamos completar o pagamento desta obrigação quando recursos suficientes nos permitirem fazer isso", disse ele. "Isso vai acontecer quando ajuda estrangeira suficiente chegar."



"A queda ocorreu em contribuições vindas da região", acrescentou ele durante entrevista a jornalistas em seu gabinete, em Ramallah.

Até agora em 2011, a Autoridade Palestina recebeu 331 milhões de dólares dos 970 milhões prometidos por doadores internacionais. O governo enfrenta uma queda no financiamento de 30 milhões de dólares por mês e pode não conseguir mais empréstimos bancários para cobrir o déficit, disse Fayyad.

É a segunda vez em dois meses que a Autoridade Palestina, que exerce um governo limitado em partes da Cisjordânia ocupada por israelenses, enfrenta dificuldade em pagar salários.

Em maio, o governo não pode pagar salários quando Israel temporariamente manteve receitas tributárias que recolhe em nome da Autoridade Palestina. Israel citou preocupações de que os recursos poderiam chegar ao grupo islâmico Hamas após um acordo de unidade com o presidente, Mahmoud Abbas. Foi a primeira vez que a Autoridade Palestina, comandada por Abbas, não pagou salários desde 2007.

Fayyad disse que os Estados Árabes contribuíram com 79 milhões de dólares dos recursos recebidos em 2011. As transferências vieram dos Emirados Árabes Unidos, Omã e da Argélia.

Ele detalhou contribuições de 2011, que mostram que a Arábia Saudita, que pagou 146 milhões de dólares em 2010 e 241 milhões em 2009, ainda não fez contribuições este ano.

Estados árabes foram responsabilizados pela crise financeira da Autoridade Palestina no ano passado, mas o governo palestino não deixou de pagar salários e uma contribuição de 100 milhões de dólares da Arábia Saudita em outubro ajudou o governo a cumprir com suas obrigações.

Reuters

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