Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Crise externa se acentua, apesar das medidas de apoio do Fed

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), reduziu a taxa de redesconto que cobra de empréstimos diretos a bancos e anunciou uma nova linha de financiamento pela qual emprestará a grandes instituições financeiras. As medidas no entanto, foram insuficientes para deter a crise financeira que atinge o país. (Leia Mais)

Segunda, 17 de Março de 2008 às 09:08, por: CdB

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), reduziu a taxa de redesconto que cobra de empréstimos diretos a bancos e anunciou uma nova linha de financiamento pela qual emprestará a grandes instituições financeiras. Em comunicado surpresa, neste domingo à noite, a autoridade monetária dos EUA informou que vai cortar a taxa de redesconto de 3,5% para 3,25%, com efetividade imediata. As medidas no entanto, foram insuficientes para deter a crise financeira que atinge o país, mesmo depois de o Fed criar uma linha de empréstimo para as instituições primárias tomarem dinheiro diretamente do Fed com a mesma taxa.

Por pouco, as operações financeiras e os empréstimos interbancários não foram interrompidos nesta segunda-feira, com os bancos cada vez mais temerosos em negociar uns com os outros após o quase colapso do banco de investimento Bear Stearns, um dos maiores do país, em meio ao rumor de mais uma rodada de ajuda coordenada pelos bancos centrais. Com as ações de bancos e o dólar norte-americano despencando, o acesso das instituições financeiras a empréstimos interbancários era medido a conta-gotas. Operadores diziam que o mercado de balcão está altamente discriminatório, dependendo do nome do banco.

Analistas financeiros disseram, pela manhã, que qualquer banco sem reservas para mais de uma semana terá sérias dificuldades para levantar dinheiro emprestado naquele país.

"O quase colapso do Bear e a aquisição aceleram a crise de liquidez e a crise do mercado aberto. A aversão dos bancos a risco e a sensibilidade ao risco de contrapartida devem aumentar ainda mais, levando a maior pressão nos hedge funds. Os mercados abertos estão tendo um despertar brutal", disse Willem Sels, analista da Dresdner Kleinwort, em nota a clientes.

Mesmo alguns funcionários graduados de bancos internacionais, com agências nos EUA, têm problemas para avaliar os acontecimentos desde que o Federal Reserve de Nova York anunciou, na sexta-feira, que estava auxiliando o Bear Stearns via JPMorgan . A preocupação intensa com a estabilidade e a solvência de outras instituições financeiras secou os volumes no mercado de crédito. A preocupação sobre a possibilidade de outras empresas traçarem um destino similar ao do Bear Stearns, cada operação provocava muito nervosismo.

Pela manhã, os bancos puxavam a fila de perdas no mercado de ações europeu, que caía mais de 3%. O Royal Bank of Scotland perdia 7%. O UBS e o Barclays cediam cerca de 8%. O HBOS e o Alliance & Leicester tinham baixa de aproximadamente 10%. As ações do Lehman Brothers despencavam 22%, mas chegavam a perder 34% antes da abertura do mercado em Wall Street.

– Todos estão perguntando: quem é o próximo? Há um Bear Stearns na Europa? Os bancos de investimento podem começar a quebrar? – afirmou o estrategista do BNP Paribas, Edmung Shing, a jornalistas.

A crise se agravava, nas primeiras horas do pregão, de forma ainda mais acentudada nos mercados em libra esterlina. Alguns analistas disseram que os principais participantes do mercado interbancário vinham fazendo até 700 milhões de libras em negócios na semana passada, uma fração dos muitos bilhões de dólares que vinham sendo feitos há um ano. O volume era ainda menor nesta segunda-feira.

A taxa de empréstimo interbancário em euro também estava cerca de 65 pontos-básicos acima juros do Banco Central Europeu (BCE), em comparação a cerca de 40 pontos no começo do mês. O pico foi atingido no final do ano passado, a cerca de 90 pontos. Porta-voz do ministério alemão das Finanças disse que não está planejado nenhum encontro extraordinário do Grupo dos Sete, que reúne as principais economias do mundo.

– Estamos monitorando muito de perto os acontecimentos nos Estados Unidos – disse.

Com o dólar "se derretendo", como afirmou o ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, semana passada, operadores disseram que os mercados de opções cambiais também estavam se diluindo p

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