O período pós-crise econômica mundial será caracterizado por "uma demanda sem precedentes" pelo ensino universitário, afirmou, nesta terça-feira, Angel Gurria, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris.
Segundo a organização, o desemprego, que provavelmente se manterá elevado no período em que as economias começarem a sair da recessão, além das vantagens de um maior nível de educação, "vão incentivar cada vez mais jovens a continuarem seus estudos por mais tempo".
– Os investimentos em capital humano contribuirão para a retomada do crescimento, sob a condição de que os estabelecimentos de ensino estejam em condições de responder a essa demanda –, diz Gurria.
Em seu relatório anual Olhar sobre a Educação - 2009, publicado nesta terça-feira, a OCDE recomenda aos governos que levem "em conta a tendência de maior demanda por formações de ensino superior na elaboração de suas políticas de educação".
O estudo analisa os sistemas educacionais de 36 países, sendo 30 membros da organização e seis países "parceiros", entre eles o Brasil.
– Considerando que as pessoas mais qualificadas têm mais chances de trabalhar, assistimos a um aumento do valor da educação –, afirma o relatório.
A OCDE afirma ainda que "investir na educação é um meio para lutar contra a recessão e aumentar a renda futura".
A organização diz também que um maior nível de ensino beneficia não apenas as populações - que recebem salários mais elevados - mas também a economia dos países, "que tiram benefícios do maior número de pessoas com diplomas".
– A análise da OCDE mostra que os resultados positivos do ensino superior se traduzem, posteriormente, em salários mais elevados, melhor saúde e menor vulnerabilidade ao desemprego –, diz o relatório.
Segundo os cálculos realizados para o estudo, um homem com diploma universitário pode obter, nos países da OCDE, uma vantagem salarial acumulada ao longo de sua vida profissional de US$ 186 mil brutos, em média, em relação a alguém que cursou apenas o ensino secundário.
A diferença é menor no caso das mulheres - de US$ 134 mil, em média -, o que revela a disparidade dos salários entre homens e mulheres, afirma a organização.
Os Estados Unidos registram a maior diferença salarial entre os que cursaram e os que não cursaram o ensino superior.
Um americano com diploma universitário pode ganhar, ao longo de sua vida, mais de US$ 367 mil a mais do que uma pessoa que cursou apenas o segundo grau.
No caso do Brasil, os titulares de um diploma universitário "beneficiam-se de uma vantagem salarial muito superior a 100%" em relação às pessoas que cursaram apenas o segundo grau, diz o estudo.
O número de pessoas que obtiveram diplomas do ensino superior aumentou, em média, 4,5% por ano nos países da OCDE entre 1998 e 2006, informa o relatório.