Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2026

Crise, eleições e quase um milagre movimentam países vizinhos na Ásia

Sexta, 10 de Maio de 2013 às 10:52, por: CdB

O mercado de carros na Índia está enfrentando sua pior queda nas vendas da história, após as vendas em abril caírem pelo sexto mês consecutivo, de acordo com um órgão da indústria, à medida que a crise econômica e o aumento dos custos para se possuir um carro destroem um mercado que já foi muito elogiado pelo crescimento. As altas taxas de juros, o aumento dos custos de combustível e as "nuvens escuras" que pairam sobre a economia da Índia reduziram a demanda por carros, em um mercado onde os níveis de propriedade de veículos ficam atrás da rival China, e no qual montadoras globais fizeram grandes apostas com esperanças de grande crescimento. – A economia não está indo bem ... dando sinais negativos para os consumidores – disse o diretor sênior da Society of Indian Automobile Manufacturers (Siam), Sugato Sen, que compila os dados de vendas. "Compra de carros é sempre uma compra discricionária, eu posso sempre adiá-la. Isso é o que está acontecendo." As vendas de automóveis caíram 10,4% ao ano, em abril, segundo dados do Siam, marcando a primeira vez que as vendas caíram por seis meses consecutivos desde que os dados foram compilados pela primeira vez em 1997. As vendas caíram 7 por cento no ano financeiro que terminou em março, a primeira queda anual em uma década, prejudicando as montadoras globais como Ford e General Motors, que têm investido bilhões de dólares em um mercado que cresceu 30% há apenas dois anos. Crescimento positivo só é esperado após três a quatro meses, Sen afirmou aos repórteres, com os custos de financiamento lentamente diminuindo. Mais de 80% das vendas de carros na Índia são financiados com crédito. A Siam estimou que as vendas de carros vão crescer de 3% a 5% no ano fiscal que termina em março de 2014. Final feliz No vizinho Bangladesh, uma mulher foi resgatada na sexta-feira depois de passar 17 dias presa sob os escombros de um edifício que abrigava fábricas na capital Daca e desabou em 24 de abril, matando mais de 1.000 pessoas, disseram policiais e militares. Centenas de observadores explodiram em aplausos enquanto engenheiros do Exército retiraram a mulher do porão do prédio após um operário que ajudava a limpar os destroços ter escutado gritos fracos de "salve-me, salve-me" por debaixo das ruínas. Pálida, contraída e aparentemente incapaz de andar, a mulher, identificada pela mídia de Bangladesh apenas como Reshma, foi içada para fora dos escombros em uma maca e em seguida carregada para uma ambulância em cenas transmitidas ao vivo pela televisão. Mohammad Rubel Rana, um trabalhador que cortava barras de ferro, disse que alertou as equipes de resgate depois de ouvir uma voz fraca. – Eu ouvi uma voz fraca dizendo: 'salva-me, salva-me'. Ela recebeu água, biscoitos e oxigênio. Ela foi resgatada e levada a um hospital militar – disse o porta-voz do Exército de Bangladesh, Shahinul Islam, à agência inglesa de notícias Reuters. As equipes de resgate especularam que ela pode ter sobrevivido bebendo água que acumulou no local quando os bombeiros apagaram um incêndio no início dos esforços de resgate. A mulher foi encontrada horas depois de o número de mortos subir para mais de mil, enquanto equipes de resgate continuam nos esforços para concluir a operação de salvamento. O número de mortos desde a queda catastrófica do edifício que abrigava fábricas em Bangladesh subiu para mais de 1 mil e mais corpos ainda podem estar presos nos destroços. Equipes de resgate ainda trabalham na operação de salvamento, mais de duas semanas após o acidente. Ainda há corpos sendo retirados dos escombros do complexo Rana Plaza, e nesta sexta-feira um porta-voz na sala de controle do Exército que coordena a operação disse que o número de mortos confirmados tinha alcançado 1.038. Cerca de 2,5 mil pessoas foram resgatadas do edifício, no subúrbio industrial de Savar, cerca 30 km a noroeste de Daca, incluindo muitos feridos, mas não há estimativa oficial do número de pessoas desaparecidas. Nove pessoas foram presas por ligação com o desastre, incluindo o proprietário do edifício e os patrões das fábricas instaladas no prédio. Centenas de parentes ainda estavam reunidos no local, alguns segurando fotografias de membros da família. Equipes de resgate têm tido cada vez mais dificuldade para identificar os corpos em decomposição e estão usando cartões de identificação encontrados com eles ou até mesmo seus telefones celulares para fazer isso. – Um total de 156 vítimas não identificadas foi enterrada – disse o administrador do distrito de Daca, Mohammad Yousuf Harun, acrescentando que amostras de DNA retiradas dos corpos foram preservadas para possíveis testes caso parentes apareçam mais tarde. O governo culpou os proprietários e construtores do complexo de oito andares pelo uso de materiais de construção de má qualidade, incluindo varas, tijolos e cimento precários, e por contruírem sem as autorizações necessárias. Eleições tumultudadas

imran-khan.jpg
Imran Khan, ex-jogador de críquete e playboy aposentado, ao lado da mulher e da filha
No também vizinho Paquistão, que vive em pé-de-guerra com a Índia, o partido do ex-jogador de críquete Imran Khan cresceu nas pesquisas na reta final da campanha e pode embolar a eleição geral deste sábado no país, resultando em um Parlamento dividido e numa prolongada negociação para a formação de uma coalizão. A perspectiva de um governo fraco ofusca o otimismo em torno da primeira transição entre dois governos civis na história do Paquistão. O partido do ex-premiê Nawaz Sharif deve formar a maior bancada, e ele tem grandes chances de voltar ao cargo, 14 anos depois de ser deposto por militares, preso e posteriormente exilado. Mas Khan pode acabar como o fiel da balança se não houver um vencedor claro. Num sinal da sua popularidade, 35 mil simpatizantes participaram na quinta-feira de um comício em Islamabad, sem a presença do próprio candidato. O popular ex-jogador, de 60 anos, está hospitalizado depois de se machucar na queda de um elevador durante um comício nesta semana. O acidente pode ter lhe rendido a simpatia de muitos eleitores. O partido dele, chamado Tehrik-i-Insaf, começou a campanha com menos de 10 por cento das intenções de voto, e na quarta-feira apareceu em um levantamento da revista Herald com 24,98%, logo atrás da Liga Muçulmana do Paquistão, de Sharif. Nesse pesquisa, o Partido do Povo do Paquistão, do presidente Asif Ali Zardari, aparece apenas em terceiro lugar. – Embora Khan tenha inicialmente sido prejudicado pela falta de organização partidária e pela ausência de uma presença em nível provincial, ele conseguiu superar esses desafios estabelecendo uma rede de voluntários que fez campanha freneticamente e realizou enormes atos públicos nas últimas semanas – disse Shamila Chaudhary, editora-sênior do Eurasia Group. Khan, mais conhecido esportista da história do Paquistão, teve uma juventude típica de playboy, mas nos últimos anos surgiu como um contestador das dinastias políticas do país, tradicionalmente vistas como clientelistas e corruptas. A campanha paquistanesa terminou oficialmente à 0h de sexta-feira (hora local). Mais de 110 pessoas morreram em incidentes políticos durante a campanha, e a violência prosseguia na véspera da votação. Na sexta-feira, cinco pessoas foram mortas em atentados contra comitês partidários em Quetta (sudoeste) e Peshawar (noroeste). O Talebã paquistanês, que considera a eleição anti-islâmica, é responsável por esses ataques, e na quinta-feira revelou planos para cometer atentados suicidas no dia da votação.

Tags:
Edições digital e impressa