Rio de Janeiro, 12 de Outubro de 2026

Crise econômica no Japão leva governo a dificuldades políticas

Ministro de Finanças do Japão, Kaoru Yosano disse a jornalistas, nesta terça-feira, que a economia do país não deverá crescer no ano fiscal que se inicia no próximo mês de abril. O comentário foi um dos mais desoladores até agora sobre o impacto da desaceleração econômica. (Leia Mais)

Terça, 18 de Novembro de 2008 às 09:03, por: CdB

Ministro de Finanças do Japão, Kaoru Yosano disse a jornalistas, nesta terça-feira, que a economia do país não deverá crescer no ano fiscal que se inicia no próximo mês de abril. O comentário foi um dos mais desoladores até agora sobre o impacto da desaceleração econômica.

A pior crise financeira dos últimos 80 anos já começou a gerar efeitos sobre a economia global e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima contração dos Estados Unidos, Europa e Japão em 2009. Os comentários de Yosano indicam que a crise pode empurrar para baixo o Produto Interno Bruto (PIB) japonês durante todo o ano fiscal, até março de 2010.

Uma contração prolongada será uma péssima notícia para a situação fiscal do governo japonês, já que isso vai significar menos receita durante um momento em que o governo enfrenta uma montanha de dívidas.

Na segunda-feira, dados mostraram que a economia do país entrou em recessão, ao contrair 0,1% no terceiro trimestre, marcando o segundo trimestre consecutivo de contração do PIB.

Oposição

Diante do quadro econômico japonês, a oposição ao primeiro-ministro Taro Aso obstruiu votações parlamentares, inclusive sobre um pacote de auxílio aos bancos, como parte de seus esforços para antecipar as eleições - uma estratégia que ameaça paralisar ainda mais uma economia que já está em recessão.

O projeto financeiro afetado visa a injetar dinheiro público em bancos, especialmente os regionais, para melhorar a oferta de crédito para micro e pequenas empresas.

Outro projeto obstruído diz respeito à prorrogação das operações navais japonesas de apoio aos Estados Unidos no Afeganistão, cujo mandato expira em janeiro. A eventual suspensão das operações pode gerar um começo turbulento nas relações com o governo de Barack Obama nos EUA.

Aso disse a jornalistas, nesta terça-feira que, diante da importância dos dois projetos, pode ser necessário adiar o recesso parlamentar, caso a oposição mantenha sua intransigência.

– As coisas pararam devido à obstrução política, e isso não pode ser bom nem para a economia nem para a confiança dos investidores no mecanismo político – disse Robert Feldman, economista-chefe do banco Morgan Stanley em Tóquio.

O Partido Democrático, o maior da oposição no Japão, recusa-se a votar a prorrogação da missão naval e o pacote bancário no Senado, segundo relatos da imprensa e de dirigentes governistas. O PD controla o Senado em aliança com pequenos partidos.

A não-prorrogação da missão naval pode criar atritos com o novo governo dos EUA, que toma posse em 20 de janeiro. Já o pacote financeiro seria importante para dar confiança aos bancos regionais e aos seus pequenos clientes empresariais.

– No Japão, os grandes bancos não estão realmente com problemas, então não se trata da economia em geral. Mas é muito possível que algumas economias regionais tenham problema, e as injeções seriam muito importantes para estabilizar as regiões – disse o economista Martin Schulz, do Instituto de Pesquisas Fujitsu.

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