A crise econômica mundial segue deixando um rastro de desemprego nos países ricos. O número de desempregados na Espanha ultrapassou a marca de 3 milhões de pessoas pela primeira vez em dezembro e o governo disse que o cenário deve piorar em 2009. O número de trabalhadores desempregados na Espanha aumentou em 139.694 pessoas, o nono aumento mensal consecutivo, atingindo um total de 3,13 milhões, mostraram dados do governo divulgados nesta quinta-feira.
Desde dezembro do ano retrasado, a Espanha acumulou um aumento de aproximadamente 1 milhão de desempregados ou 47% de ampliação no número de pessoas sem trabalho.
– Será bem difícil em 2009 e o desemprego continuará crescendo por conta da queda na atividade econômica e na demanda – informou a secretária-geral de Emprego, Marvillas Rojo.
Corte de juros
Na tentativa de reaquecer a economia e evitar uma dispensa ainda maior de trabalhadores, o Banco da Inglaterra cortou a taxa de juro em meio ponto percentual, nesta quinta-feira, para o patamar recorde de baixa de 1,5% nesta quinta-feira, à medida em que a autoridade monetária luta para evitar que a Grã-Bretanha entre em uma longa recessão.
A taxa básica de juro britânica nunca havia caído abaixo de 2%, nem mesmo durante a Grande Depressão dos anos de 1930. O patamar atual do juro é o menor desde que o banco central britânico foi fundado, há mais de 300 anos.
Queda na produção
Ao norte, na Alemanha, as encomendas à industria caíram 6,0% em novembro, superando o estimado, mostraram dados divulgados nesta quinta-feira. Os números fracos reforçam as preocupações sobre a saúde da maior economia da Europa. A queda nas encomendas, de acordo com os dados ajustados sazonalmente, foi bem superior à estimativa de recuo de 1,1% feita por economistas consultados pela agência inglesa de notícias econômicas Reuters.
Ainda de acordo com os dados preliminares divulgados pelo Ministério de Economia da Alemanha, a queda nas encomendas de outubro foi revisada para 6,3%, ante 6,1% inicialmente informado.
"A produção industrial vai cair significativamente nos próximos meses considerando o comportamento das encomendas", afirmou o Ministério em comunicado.
As encomendas domésticas recuaram 7,6%, enquanto que as encomendas feitas no exterior caíram 4,4%.
A Alemanha entrou em recessão no terceiro trimestre do ano passado e grandes institutos de estudos econômicos estimam que o país pode ter uma contração de até 2% ou mais em 2009, o que representaria a pior performance anual da economia alemã no pós-guerra.
As exportações da Alemanha também registraram queda recorde em novembro, à medida que a demanda por carros e outros importantes bens despencaram, aumentando as preocupações sobre as perspectivas, que já são ruins, da economia do país em 2009. De acordo com dados ajustados sazonalmente, as exportações caíram 10,6% em novembro ante outubro, informou a agência federal de estatísticas alemã nesta quinta-feira.
Essa foi a maior queda mensal desde a reunificação em 1990. A Alemanha, maior economia da Europa, tem sido a maior exportadora de produtos do mundo desde 2003. Para o analista Alexander Koch, da Unicredit, os números divulgados nesta quinta-feira foram "horríveis". Na avaliação de Axel Nitschke, chefe de comércio exterior da Câmara de Comércio e Indústria da Alemanha, o futuro tende a ser ruim, considerando os problemas sofridos pela indústria automotiva do país.
– Os números de dezembro vão ser ainda piores – disse.
As importações feitas pela Alemanha também caíram em novembro, em 5,6%, o que fez com que o superávit comercial ajustado do país encolhesse para 10,7 bilhões de euros, ante 15,8 bilhões de euros em outubro, informou a agência de estatísticas.