Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2026

Crise e juros altos desaceleram produção industrial

A produção industrial brasileira quebrou uma sequência de quatro meses de alta e recuou mais que o esperado em julho frente a junho, em um sinal de acomodação que pode reforçar as apostas de corte do juro básico pelo Banco Central, segundo analistas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira que a produção caiu 2,5% frente a junho - a maior queda em dois anos e meio. Em relação a julho do ano passado, houve crescimento de 0,5% - a menor taxa desde setembro de 2003. (Leia Mais)

Quinta, 08 de Setembro de 2005 às 10:30, por: CdB

A produção industrial brasileira quebrou uma sequência de quatro meses de alta e recuou mais que o esperado em julho frente a junho, em um sinal de acomodação que pode reforçar as apostas de corte do juro básico pelo Banco Central, segundo analistas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira que a produção caiu 2,5% frente a junho - a maior queda em dois anos e meio. Em relação a julho do ano passado, houve crescimento de 0,5% - a menor taxa desde setembro de 2003.

O IBGE destacou que as sondagens sobre expectativa de empresários e consumidores já apontavam um mês fraco e atribuiu a queda a um ajuste de estoques, sem descartar impacto do nível do juro e da crise política.

- Chama atenção que as sondagens conjunturais já apontavam para uma reversão nas expectativas otimistas. Talvez isso guarde relação com o resultado de julho. A indústria no segundo semestre vem fazendo um ajuste de estoque. O que chama atenção é a dimensão da queda (na produção) e a explicação nossa é que houve redução após forte expansão. As sondagens conjunturais já apontavam para um terceiro trimestre positivo, mas num ritmo mais lento do que no segundo trimestre - afirmou Silvio Salles, coordenador da pesquisa.

Os números, disse, estão coerentes com a previsão pior para o terceiro trimestre, "que pode ser em função da incerteza política e dos juros altos".

- Agora, apontar isso como única explicação é arriscado porque senão significa dizer que a indústria vai continuar com resultados negativos enquanto a crise não acabar - acrescentou.

De janeiro a julho, a produção da indústria acumula alta de 4,3%. Nos últimos 12 meses, o crescimento desacelerou para 5,8%, ante 6,7% nos 12 meses encerrados em junho.

Revisão para cima

O dado de junho frente a maio foi revisto de alta de 1,6% para 2% e o de abril saiu de estabilidade para ligeira alta de 0,1%.

- O número anterior teve ligeiro aumento, mas isso não muda a leitura. (O dado de julho) confirma acomodação da indústria. O que é preocupante é a forte retração em bens de capital. Essa queda praticamente neutraliza a forte alta de maio e junho e nos leva a ficar atentos à formação bruta de capital fixo. Em agosto os números estão melhores, mas acho que dificilmente vão cobrir a queda de julho... Para que não se inicie um processo forte de desaceleração é necessário que o Banco Central comece a cortar os juros - afirmou o estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz.

A queda na produção de julho foi generalizada, atingindo 20 das 23 atividades pesquisadas que têm séries com ajuste sazonal e todas as categorias de uso.

Bens de capital

Na comparação com junho, as categorias com os piores resultados foram as de bens de capital - com recuo de 7,6% - e bens de consumo duráveis
 de 5,9%. Essas duas categorias interromperam dois meses com taxas positivas. Quebrando uma sequência de quatro resultados positivos, bens intermediários recuaram 1,9%. A categoria de bens de consumo semiduráveis e não duráveis teve decréscimo de 0,9%.

Entre as indústrias que reduziram a produção, destacam-se as de veículos automotores, material eletrônico e equipamentos de comunicações, além de máquinas e equipamentos. Já os únicos setores que mostraram crescimento foram refino de petróleo e produção de álcool, indústria farmacêutica e celulose e papel.

Frente a julho do ano passado, o setor extrativo garantiu o resultado positivo ao crescer 10,9%. A indústria de transformação teve a menor marca desde setembro de 2003. O IBGE frisou que o mês teve um dia útil a menos que julho de 2004. Das 26 atividades pesquisas, dez apresentaram expansão - com o principal impacto positivo vindo também de refino de petróleo e produção de álcool, além de material eletrônico e equipamentos de comunicações e edição e impressão.

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