Forças iraquianas fizeram buscas em uma cidade próxima a Bagdá nesta segunda-feira à procura de pistas de dezenas de xiitas que teriam sido sequestrados por militantes sunitas, uma afirmação que membros do governo dizem que foi exagerada por motivos políticos.
Cinco brigadas de tropas iraquianas da unidade de comando especial do Ministério do Interior se espalharam por Madaen, 40 km a sudeste de Bagdá, mas após horas de buscas encontraram escassas pistas de qualquer refém ou atirador.
- Não encontramos reféns e não prendemos nenhum terrorista - disse o coronel Abu al-Jau, sub-comandante de uma das brigadas, acrescentando que nenhum tiro foi dado.
Um outro funcionário do Ministério do Interior, general Adnan Thabet, disse que nove reféns haviam sido libertados. Não estava claro se eles estavam relacionados com as 150 pessoas que líderes muçulmanos xiitas haviam dito originalmente terem sido sequestrados por atiradores sunitas.
- O número de reféns foi bastante exagerado - disse Thabet.
Porém, as buscas revelaram vários depósitos de armas, e a cadeia de Madaen foi encontrada vazia, segundo ele.
A polícia alertou desde o início para o fato de que talvez apenas três pessoas estariam em cativeiro e disse que a situação era o resultado de semanas de sequestros entre as tribos rivais.
A confusão reforça o quanto a tensão sobre as autoridades iraquianas cresceu com o vácuo político desde a eleição de 30 de janeiro, sem a formação de um governo em vista.
Facções políticas rivais estão em disputa sobre a distribuição de ministérios, com o principal partido xiita determinado a garantir o Ministério do Interior e firme na posição de que o Ministério da Defesa não deve ser controlado por sunitas.
Alguns funcionários do governo dizem que a situação em Madaen foi exagerada para ganhos políticos, com grupos tentando mostrar por meio de uma crise de reféns que o governo interino é incompetente, permitindo aos militantes sunitas assediar xiitas sem recursos.
- A falta de um governo está levando todos a tentar mostrar que sabem algo e que têm influência", disse Sabah Kadhim, um assessor do ministro do Interior.
- Madaen apenas saiu das proporções. É uma comunidade misturada com problemas que são questões tribais. Mas há forças externas, algumas delas políticas, que estão explorando a situação - disse.
Os sequestros se tornaram comuns em cidades como Madaen, que têm uma população dividida entre sunitas e xiitas, mas onde as lealdades tribais normalmente superam as afiliações religiosas. As tribos frequentemente respondem aos sequestros com outros sequestros.
Kadhim disse que é possível que algumas pessoas estejam mantidas em cativeiro na cidade - apesar de ele dizer que é extremamente improvável que 150 estivessem nessa condição - e que é provável que gangues criminosas e insurgentes operem na área.
Madaen, a cidade próxima de Salman Pak e outros assentamentos na região têm sido campos férteis para a militância nos últimos dois anos, com frequentes ataques às forças dos EUA e iraquianas.
Mas Kadhim disse que a questão maior é política. Desde a eleição de 30 de janeiro, que levou a maioria xiita ao poder após décadas de opressão sob o governo de Saddam Hussein, as tensões cresceram entre os muçulmanos xiitas e sunitas.
Entre essas tensões, e conscientes de que a minoria sunita precisa participar do governo se o Iraque quer deixar o passado para trás, o primeiro-ministro indicado, o xiita Ibrahim al-Jaafari, está tentando formar um governo.
Muitos líderes sunitas temem que se os xiitas assumirem o Ministério do Interior, chave para a segurança interna, haverá processos contra ex-integrantes do partido Baath, de Saddam Hussein, que estão agora chefiando as forças de segurança apoiadas pelos EUA contra os grupos insurgentes.
O secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, alertou contr