Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Crise do capitalismo mundial chegou ao fundo do poço, dizem os alemães

Quinta, 20 de Agosto de 2009 às 10:41, por: CdB

Na opinião de técnicos do Bundesbank, o banco central da Alemanha, a economia mundial pode ter chegado ao seu ponto mais baixo no primeiro semestre, enquanto a queda da economia alemã paralisou, em seu boletim de agosto, publicado nesta quinta-feira. No documento, o banco informou que os indicadores de tendência mostram que a produção da Alemanha teve uma considerável melhora no terceiro trimestre. No entanto, a entidade adverte que a incerteza continua.

"Com a melhora da demanda externa, há uma condição importante para que as empresas ganhem confiança", afirmou o Bundesbank. A economia alemã, a maior da zona do euro, parece ter superado a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), após sofrer uma forte queda. O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha subiu 0,3% no segundo trimestre, em comparação aos três meses anteriores, e cresceu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2008.

Em relação ao mesmo trimestre de 2008, no entanto, o PIB da Alemanha caiu 7,1%, ou 5,9% ajustados aos efeitos do calendário. A confiança a médio prazo do investidor na economia alemã subiu em agosto com força, até o valor máximo desde abril de 2006, devido à melhora da avaliação da situação atual e após ter caído em julho.

Em seu boletim mensal, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) informou que o PIB dos países da zona do euro se estabilizou no segundo trimestre de 2009, frente às históricas quedas dos períodos anteriores, o que alimenta a avaliação de de que a economia mundial já encontrou um certo nível de estabilização. No início da semana, o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, disse que a recuperação da economia global já começou, mas que "a reversão (da crise econômica) não será simples".

Em dissonância com o restante do continente, a economia da Espanha apresentou uma retração de 1% entre abril em junho em relação aos três primeiros meses do ano; já a variação anualizada do PIB mostrou queda de 4,1%. A economia do conjunto dos 16 países que compõem a zona do euro, por sua vez, caiu 0,1%, no quinto declínio consecutivo.

Alento mundial

Nas sete maiores economias do mundo, houve queda de 0,1% no PIB do segundo trimestre em relação ao primeiro, estatística que se repetiu para a média dos 16 países que compõem a zona do euro. Em todos os países da União Européia, o recuo no segundo trimestre foi de 0,3%, comparado a uma queda de 2,4% no trimestre anterior. As estatísticas apontam, no entanto, para uma recuperação nas economias mais industrializadas do planeta, onde em alguns países resultados divulgados recentemente encerraram tecnicamente a recessão.

Foi o caso da França e da Alemanha, que registraram uma alta de 0,3% do PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro, e do Japão, que viu uma alta de 0,9% no mesmo período. Já os Estados Unidos adiantaram no fim do mês passado, que suas estatísticas apontaram uma queda menor no segundo trimestre que no primeiro. Anualizada, a taxa foi negativa em 1%, contra 6,4% três meses antes.

Embora o relatório trimestral da OCDE seja divulgado sem comentários, diversos analistas se mostraram cautelosos com os resultados melhores nos países industrializados nas últimas semanas. Para eles, o ponto de interrogação é se as economias mais industrializadas do planeta encerraram ou apenas interromperam o ciclo negativo e, em caso positivo, se entraram em uma dinâmica capaz de sustentar um novo período de alta.

Na Grã-Bretanha, onde nas estimativas da OCDE o segundo trimestre foi de contração de 0,8% - contra 2,4% na comparação dos três meses anteriores - o próprio governo tem dito que ainda há um "longo caminho" para a recuperação econômica.

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