Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Crise de bancos franceses eleva tensão financeira na Europa

Quarta, 14 de Setembro de 2011 às 15:29, por: CdB

Crise de bancos franceses eleva tensão financeira na EuropaUm dia antes do terceiro aniversário da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, o sistema bancário mundial segue à borda do precipício empurrado pela crise grega e pela iminente quebra desse país. Nesta quarta-feira, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de dois bancos franceses, Société Générale e Crédit Agricole. Ambas instituições foram rebaixadas devido à sua perigosa exposição à grave situação financeira da Grécia.

Eduardo Febbro - Correspondente da Carta Maior em Paris

Justo um dia antes do terceiro aniversário da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers (em meados de setembro de 2008 as ações do banco custavam 0,13 centavos de dólar), o sistema bancário mundial segue à borda do precipício empurrado pela crise grega e pela iminente quebra desse país. Nesta quarta-feira, a agência de classificação de risco Moody’s, sediada nos EUA, baixou a nota de dois bancos franceses, Société Générale e Crédit Agricole. Ambas instituições foram rebaixadas na classificação da Moody’s devido à sua perigosa exposição à grave situação financeira da Grécia.

Em um contexto de rumores sobre a bancarrota grega e de fortes temores dos poupadores franceses pela fragilização do sistema bancário local, a decisão da Moody’s agrega um novo fator de tensão. Concretamente, a agência de classificação baixou a nota da Société Générale de Aa2 para Aa3, enquanto que o Crédit Agricole viu a sua cair de Aa1 para Aa2. Há ainda um terceiro banco francês na corda bomba, o BNP Paribas, que pode ter a mesma sorte nos próximos dias.

A medida da Moody’s era esperada há vários dias, mas a sociedade francesa recebeu-a com muita inquietude. Uma pesquisa publicada nesta quarta revela que 66% dos franceses pensam que suas poupanças estão em perigo em função da debilidade do setor bancário. 39% dos entrevistados opinou que uma nacionalização parcial do sistema bancário seria uma medida adequada. O governador do Banco da França, Christian Noyer, procurou tirar qualquer dramaticidade da decisão da Moody’s. Noyer declarou que « os bancos franceses conservam uma nota excelente e estão no mesmo nível dos grandes bancos europeus ».

No entanto, os números estão todos no vermelho e tanto a banca francesa como a europeia não conseguem sair dessa situação desde a crise mundial de 2008. Os bancos europeus com ações na bolsa alcançaram porcentagens inferiores às que tinham em setembro de 2008 quando ocorreu a quebra do Lehman Brothers. No que diz respeito aos bancos Societé Générale e Crédit Agricole, ambos conheceram uma segunda-feira sombria com perdas de mais de 12%. Os compromissos desses bancos com a Grécia são monumentais. O conjunto do sistema financeiro francês está altamente exposto à dívida pública e privada da Grécia com um pacote de 40 bilhões de euros (cerca de 53 bilhões de dólares).

Analistas econômicos calculam que a nota sobre a solvência de ambos os bancos poderia baixar mais ainda, sobretudo a do Crédit Agricole. O Société Générale já apresentou um plano drástico de economias que envolve a demissão de pessoas nas agências estrangeiras, cerca de 2.000 pessoas, e a venda de ativos de risco destinada a reforçar o capital do banco em 4 bilhões de euros.

O pânico e as disputas se estendem como um rastilho de pólvora na fortaleza liberal europeia. O comissário europeu de Energia, Günter Oettinger, provocou um enorme escândalo em uma entrevista publicada pelo diário alemão Bild. Oettinger declarou que, para castigar os países da zona euro que estão muito endividados, seria preciso convidá-los a colocar suas « bandeiras a meio mastro».

Os dirigentes políticos seguem correndo atrás da crise com um jorro de palavras e nenhuma decisão. Paris, Berlim e Atenas realizaram uma teleconferência de onde não saiu nada. O presidente francêsm Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela merkel, reiteraram que « o futuro da Grécia está na zona euro » e exigiram que o primeiro ministro socialista grego, Yorgos Papandreu, aplique as reformas pactuadas. Papandreu repetiu que seu país estava « comprometido » a adotar as « medidas necessárias » . Isso se traduzirá por mais austeridade e um plano de rigor cujo custo reacirá sobre a classe média e a classe operária. Há exatamente três anos, no dia 15 de setembro de 2008, o banco de investimentos Lehman Brothers anunciava que estava quebrado. O tempo passou, os Estados colocaram bilhões de dólares para salvar os bancos, mas o sistema financeiro continua sendo uma roleta russa cujas vítimas são os trabalhadores.

Tradução: Katarina Peixoto


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