Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Crise da Grécia chega à Espanha e revolta as centrais sindicais

Na trilha da crise que abateu a Grécia e o remédio amargo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) receitou, a Espanha cortará o salário dos funcionários públicos e reduzirá os gastos com investimento, o que enfureceu os sindicatos. (Leia Mais)

Quarta, 12 de Maio de 2010 às 08:33, por: CdB

Na trilha da crise que abateu a Grécia e o remédio amargo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) receitou, a Espanha cortará o salário dos funcionários públicos e reduzirá os gastos com investimento, o que enfureceu os sindicatos. A tentativa de garantir aos mercados que conseguirá controlar seu déficit orçamentário e deter a ampliação da crise de dívida que se abate sobre a Europa foi alvo de protestos.

– Nós precisamos fazer um esforço singular, excepcional e extraordinário para reduzir nosso déficit público e nós precisamos fazê-lo agora que a economia está começando a se recuperar – disse o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, ao Parlamento.

Nas mais rígidas medidas de redução de déficit adotadas pelo governo socialista, Zapatero disse que planeja economizar 15 bilhões de euros em 2010 e 2011 com uma série de cortes de gastos, incluindo a redução de mais de 6 bilhões de euros em investimento público. Os salários do setor público serão reduzidos em 5% em 2010 e congelados em 2011, o que gerou reação imediata dos sindicatos, que já bloquearam uma medida do governo de elevar a idade de aposentadoria de 65 para 67.

As medidas adotadas agora diminuirão o déficit orçamentário para 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 11,2% em 2009. Segundo o governo espanhol, o déficit cairá para 6% em 2011 e para 3% em 2012.

Na Grécia, porém, um dado foi positivo. A economia grega retraiu menos do que o esperado no começo deste ano, mas segue em recessão enquanto o restante da zona do euro cresce. Dados desta quarta-feira mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) grego caiu 0,8% no primeiro trimestre sobre o quarto trimestre de 2009, ante previsão de analistas de queda de 1,4%.

Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a economia contraiu 2,3%, contra prognóstico do mercado de recuo de 2,7%. A agência de estatísticas Eurostat revisou o dado do quarto trimestre sobre igual período do ano anterior para contração de 2,6%, ante leitura preliminar de 2,5%.

Zona do Euro

A economia da zona do euro cresceu apenas modestamente no começo deste ano, mas dados mais fortes que o esperado de produção industrial em março sugerem que a atividade está acelerando. A agência de estatísticas Eurostat informou nesta quarta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,2% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado e avançou 0,5% sobre igual período de 2009, em linha com a previsão de analistas. O dado é preliminar e não inclui os componentes do PIB. A produção industrial da zona do euro cresceu 1,3% em março sobre fevereiro e 6,9% na comparação anual, a maior alta desde maio de 2000.

– Nossa previsão é de que o crescimento do PIB acelere para 0,5% no segundo trimestre sobre o primeiro, à medida em que a construção se recupera após o inverno severo – disse Chiara Corsa, economista do Unicredit.

A economia da Alemanha, a maior da região, expandiu 0,2% no primeiro trimestre sobre os três meses anteriores, no quarto trimestre de leituras acima de zero. A França teve ligeira elevação do PIB de 0,1% no primeiro trimestre sobre o quarto.

Moeda resiste

Ainda nesta quarta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) prometeu que o euro sobreviverá à crise de dívida da região, e um de seus membros disse que a autoridade monetária manterá os bônus de governos que comprar até seus vencimentos. O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, saiu em defesa da moeda comum, com o apoio de Guy Quaden, integrante da instituição.

– Estou mais que confiante no futuro da zona do euro – disse Trichet à rádio francesa Une.

Questionado sobre se o euro sobreviverá aos atuais problemas, Quaden respondeu que "sem dúvida". Quaden rejeitou especulações de que países poderiam deixar a zona do euro em meio à crise.

– Primeiramente, isto não está previsto no tratado (europeu). Em segundo lugar, nenhum país tem interesse de deixar o euro. Nem a Grécia, nem a Alemanha – afirmou ele a uma revista belga.

Como parte de um pacote de US$ 1 trilhão para salvar a região, o BCE abandonou sua política de bônus nesta semana e anunciou que começará a comprar títulos de governos. Os detalhes dessas compras ainda são incertos. Não se sabe quanto o banco pretende gastar nem em quais vencimentos irá focar. Nesta quarta-feira, no entanto, o membro do BCE Juergen Stark disse à rádio alemã Deutschlandfunk que o banco irá manter os bônus que comprar.

– Os bônus de governos que comprarmos nesta quarta-feira serão mantidos até seus vencimentos – concluiu.

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