Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Crise chega à Economia e dólar tem forte alta

O dólar encerrou em forte alta nesta sexta-feira, a R$ 2,397, impulsionado por um movimento de ajuste de posições devido à cautela com o cenário político. A aproximação do fim de semana reforçou a preocupação de que surjam novas denúncias, contribuindo para a alta de 1,70% do dólar no dia. Esse foi o maior avanço desde 23 de março, quando a divisa subiu 1,89%. (Leia Mais)

Sexta, 22 de Julho de 2005 às 14:51, por: CdB

O dólar encerrou em forte alta nesta sexta-feira, a R$ 2,397, impulsionado por um movimento de ajuste de posições devido à cautela com o cenário político. A aproximação do fim de semana reforçou a preocupação de que surjam novas denúncias, contribuindo para a alta de 1,70% do dólar no dia. Esse foi o maior avanço desde 23 de março, quando a divisa subiu 1,89%.

Na semana, a moeda norte-americana acumulou alta de 2,48%.

- A preocupação política começa a tomar uma amplitude maior - afirmou o gerente de câmbio de um banco nacional. "E a aposta das tesourarias começa a mudar, bate um stop loss", acrescentou ele, referindo-se ao movimento que acontece quando a cotação sobe a um nível em que as tesourarias optam por comprar dólares antes que o preço suba ainda mais.

O gerente acrescentou que, mesmo com o cenário econômico favorecendo a apreciação do real, a crise política passou a ter influência maior sobre a cotação.

- A economia está bem, mas não se sobressai sozinha. Somos mercado emergente, então dependemos do capital externo, da confiança dos investidores externos.

Para a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, o fato de continuarem ingressando recursos no mercado ajuda a conter um avanço mais acentuado do dólar, para acima de R$ 2,40.

- Se não fossem as empresas vendendo dólares, acho que os bancos apareceriam mais presentes na compra... a gente ainda tem visto muita sobra de dólar - afirmou ela. "Mas a cautela (política) aumentou."

A diretora citou ainda a notícia de que a Merrill Lynch recomendou a seus investidores reduzirem a exposição a títulos da dívida brasileira. Miriam lembrou que o principal receio dos investidores é de que as denúncias venham a atingir diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

O dia negativo nos outros mercados aumentou o mau humor no câmbio, disseram operadores, citando a forte queda da Bovespa, a depreciação do euro sobre o dólar e o avanço do risco Brasil.

Nesta tarde, o risco-país, medido pelo banco JP Morgan, subia 12 pontos, para 416 pontos-básicos sobre os Treasuries.

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