Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Crise boliviana não afeta abastecimento de energia no país, diz CSPE

Quarta, 15 de Junho de 2005 às 08:15, por: CdB

O fornecimento de energia elétrica no país não será afetado caso o abastecimento de gás natural seja interrompido pela Bolívia. Segundo o comissário-chefe da Comissão de Serviços Públicos de Energia no estado, Zevi Kann, a situação hidrologicamente favorável, com reservatórios cheios, permitirá atender à demanda por energia sem as térmicas.

Ao analisar o quadro atual, Kann observa que a geração hídrica atende à demanda nacional nos próximos dois anos. Ele ressalta que as térmelétricas não têm despachado energia de modo intensivo, exceto em situações especiais, como o ocorrido durante o período de seca verificado na região Sul.

- É por isso que as térmicas podem e já estão sendo desligadas a fim de economizar gás - salienta. O comissário-chefe da CSPE lembra que a demanda das térmicas no país é até 8 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, um terço do que o gasoduto Brasil-Bolívia transporta diariamente, cerca de 24 milhões de metros cúbicos.

O estado de São Paulo, acrescenta, possui demanda diária de 13 milhões de metros cúbicos, equivalente a um terço do consumo nacional, de 39 milhões de metros cúbicos. No entanto, afirma o dirigente, as térmicas não representam grande fatia na demanda do insumo no estado, ao contrário de estados como Mato Grosso, Rio Grande do Sul e parte do Rio de Janeiro.

Mesmo assim, Kann considera interessante a proposta do governo de utilizar mais de um combustível para a geração térmica caso seja necessário.

- As térmicas não são críticas para o abastecimento de energia, pois funcionam como seguro para as hidrelétricas, que possuem papel relevante - comenta Kann, acrescentando que nos períodos de baixa demanda, o setor deveria aproveitar a ocasião para adaptar as térmicas para o uso bicombustível.

Kann adverte, porém, para a escolha do combustível que será utilizado no modo bicombustível. O especialista explica que as termelétricas mais modernas adotam turbinas a gás que não aceitam óleo combustível comum, apenas um tipo especial de óleo diesel, com baixo teor de enxofre e especificações adequadas para evitar danos maiores aos geradores.

Além disso, destaca, o uso do diesel deve ser planejado para que a geração em períodos mais prolongados não seja anti-econômico, pois o custo do diesel é maior do que o gás natural. Mas os cenários vislumbrados não apontam para uma crise mais aguda, como crê Kann. A expectativa é de tranqüilidade, tendo em vista que a instabilidade política verificada nos últimos dias naquele país reduziu-se com o anúncio de Eduardo Rodríguez como presidente, no lugar de Carlos Mesa.

Para Kann, o essencial em um acordo de contingência é a tomada de decisões entre os governos federal e estaduais de forma harmônica.Ele explica que o consenso é necessário já que, quando o gás passa pelo city gate (válvula de passagem do gás do ramal principal para as derivações), a gerência do sistema é de responsabilidade dos estados.

O especialista considera que a decisão de antecipar a produção de reservas de gás natural recém-descobertas no país, como o campo de Mexilhão, ou BS-400, na Bacia de Santos, é estratégica para reduzir a dependência da Bolívia, praticamente o único grande fornecedor de gás. 

De acordo xcom Kann, antecipar o prazo para a exploração dos campos para 2008 parece razoável, desde que a meta seja adequada a todos os procedimentos de engenharia e administração necessários para a implementação (licitação, projetos, meio ambiente etc). Ele afirma que a independência energética depende de uma regulação favorável para o setor de gás natural, a fim de estimular a participação dos investidores na exploração e perfuração de novos campos.

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