Rio de Janeiro, 30 de Janeiro de 2026

Crise argentina agrava-se com nova postura dos norte-americanos

O secretário do Tesouro dos EUA, Paul O´Neill, disse que o FMI precisa repensar a qualidade de seus investimentos. Ele sugeriu que as instituições devem dar uma boa olhada na situação da Argentina antes de comprometer mais dinheiro.

Sexta, 17 de Agosto de 2001 às 18:55, por: CdB

O pronunciamento do secretário do Tesouro dos EUA, Paul O'Neill, na tarde desta sexta-feira, ajudou a complicar um pouco mais a situação da Argentina e a elevação do dólar no Brasil, que fechou com alta de 0,79 por cento. "A Argentina está agora, depois da intervenção de US$ 41 bilhões, numa posição muito escorregadia. E estamos trabalhando para encontrar uma forma para criar uma Argentina sustentável, não apenas uma que continue a consumir o dinheiro dos encanadores e carpinteiros dos EUA, que ganham US$ 50 mil por ano e perguntam que diabos nós estamos fazendo com o dinheiro deles", disse O´Neill, em entrevista ao programa de entrevistas Evans, Novak, Hunt & Shields, da CNN, que vai ao ar na tarde deste sábado. FHC diz que crise pode gerar "cadeia de contágio" Em Santiago, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em uma videoconferência sobre globalização, que se os países mais afetados pela crise argentina não tomarem medidas eficazes, pode haver uma "cadeia de contágio". O presidente lembrou que os efeitos negativos da crise argentina podem ser observados no Chile e no Brasil, onde já se verificaram desvalorizações das moedas nacionais em 20% e 25%, respectivamente. Fernando Henrique, entretanto, declarou-se otimista em relação ao desfecho da situação na economia do país vizinho. "Sou otimsita e acredito em uma reversão desse quadro. Há possibilidade de reação positiva e de os efeitos da crise serem contra-arrestados". O presidente brasileiro, no entanto, disse não saber qual poderá ser a solução para o problema da Argentina. Ele reiterou que o que ocorre hoje nesse país teve início com os problemas do México, no final de 1994, e depois, com as crise do Extremo Oriente, da Rússia e do Brasil. "Essas crises são provocadas pelo fato de o fluxo de capitais ter capacidade de se mover muito depressa e de estancar no momento em que o país precisa de apoio", comentou. "Quando um país está em situação de crise, há efeito de contágio. Mesmo que esse país afetado nada tenha a ver com a situação na qual há crise, sofre as conseqüências, porque se reduz o fluxo de capitais, há menor crescimento da economia e reflexos nas taxas de inflação, de câmbio e de juros", afirmou Fernando Henrique. Segundo ele, os países não ficam passivos. No caso do Brasil, exemplificou, o governo aprendeu a combater os efeitos dos ataques especulativos dos últimos anos. Afirmou, ainda, que essa situação força os organismos internacionais a colocarem mais dinheiro e medidas de precaução e a exigirem equilíbrios fiscais mais fortes. O presidente brasileiro reconheceu que essas medidas em geral são duras e difíceis de ser colocadas em prática.

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