A crise financeira global não está próxima do fim e ainda dará "muita dor de cabeça" ao país, mas já há sinais de acomodação, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta terça-feira.
- Eu não acredito que a crise esteja acabando, ou esteja em vias de acabar - afirmou Mantega ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados.
- Ainda vai nos dar muita dor de cabeça e muito trabalho, mas acho que a fase mais aguda da crise tenha acabado. Continuará havendo volatilidade, mas vejo uma acomodação - disse.
Para o Brasil, o impacto mais grave da crise, que se agravou desde meados de setembro, tem se dado por meio do "secamento" do crédito para o comércio exterior, afirmou Mantega.
Ele ressaltou, porém, que o país está mais forte que em outras crises e que certas características de sua economia consideradas "anomalias" em tempos normais, passaram a ser vantajosas para enfrentar as condições externas adversas.
Como exemplo, ele citou os recolhimentos compulsórios de depósitos bancários, que no Brasil são muito mais elevados que a média mundial e que têm sido reduzidos nas últimas semanas para aumentar a liquidez na economia.
- Estamos diante de uma crise sistêmica, que abrange todos os mercados e todos os países. Ninguém escapa dessa crise, que é mundial, mas ela não atinge igualmente todo mundo - disse Mantega.
Para Mantega, a crise atinge menos as economias emergentes dinâmicas. Ou seja, o país que cresce muito e gera riquezas é mais forte que o país que cresce menos e gera menos riquezas.
Outra vantagem relativa do Brasil, de acordo com o ministro da Fazenda, é o fato de sua economia ser relativamente fechada.
- Neste momento (de queda da demanda mundial), o fato de que apenas 13 por cento do nosso produto é exportado torna-se uma vantagem - disse.
Reforço no crédito ao comérico exterior
Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, compareceram à comissão geral da Câmara à convite dos parlamentares.
Em seu pronunciamento, Meirelles previu uma normalização do financiamento às exportações brasileiras.
- Houve uma queda de fechamento de contratos de câmbio em função desta crise internacional, mas com os leilões de linha que começaram a ser feitos esta semana espera-se que este suprimento de Adiantamento sobre contrato de Câmbio comece a se normalizar - afirmou.
Na segunda-feira, o BC vendeu 1,6 bilhão de dólares em moeda estrangeira vinculada ao financiamento das exportações. Segundo Meirelles, desde 19 de setembro, a autoridade monetária já vendeu outros 3,7 bilhões de dólares nos leilões com compromisso de recompra (linha) e 3,2 bilhões de dólares no mercado spot, sem recompra.
Além disso, deixaram de ser rolados 1,5 bilhão de dólares em contratos de swap reverso e foram vendidos outros 12,9 bilhões de dólares em contratos de swap, que corresponde a uma venda de dólares no mercado futuro.
Uma nova participação de Meirelles e Mantega no Congresso estava prevista para quarta-feira, em uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A comissão, no entanto, informou que o evento foi adiado, ainda sem nova data, a pedido de Mantega.