Um dia após Nelson Jobim assumir o Ministério da Defesa, o brigadeiro José Carlos Pereira pode deixar nesta quinta-feira o comando da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária). O seu substituto deve ser o ex-presidente do Banco do Brasil Rossano Maranhão.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, durante a posse do novo ministro da Defesa, seu desejo de nomear Maranhão para o cargo.
Pereira, desgastado pela crise aérea e pelo acidente com o Airbus-A320 da TAM, foi informado na última quarta-feira de que terá de deixar o comando da Infraero.
Responsável pela administração e pelas obras de ampliação e reforma dos aeroportos brasileiros, a Infraero esteve sob fortes críticas após a tragédia do vôo 3054 da TAM, principalmente pelas suspeitas de que o estado da pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, possa ter contribuído para o acidente.
Na semana passada, dois dias após o acidente com o avião da TAM, o maior da história da América Latina, Pereira disse que estava pronto para deixar o cargo.
- Estou pronto para sair - disse ele na ocasião, antes de se reunir com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Aliados do governo e da oposição vinham pedindo a saída de Pereira da Infraero desde o acidente com o avião da Gol, em setembro passado, que deixou 154 mortos. Após o acidente com o avião da TAM, a pressão ficou mais forte.
Parlamentares de oposição responsabilizaram Pereira pela obra de recuperação das pistas do aeroporto de Congonhas. As pistas foram liberadas para pousos e decolagens antes da realização do chamado "grooving" (ranhuras que ajudam no escoamento da água) - que reduz o risco de derrapagens de aviões em casos de chuva.
Defesa
Nelson Jobim assumiu quarta-feira o Ministério da Defesa em substituição a Waldir Pires. O novo ministro já sinalizou que está disposto a mudar o comando da Infraero e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Ele disse que recebeu "carta branca" do presidente Lula para fazer as mudanças necessárias para acabar com a crise do setor aéreo.
- Se houver necessidade, eu tenho carta branca [para fazer mudanças]. Tenho de definir esse diagnóstico [do setor]. Não tenho como definir condutas sem antes ter um diagnóstico - afirmou Jobim, logo após tomar posse no Ministério da Defesa.
Sem criticar seu antecessor, Jobim disse que há um problema de falta de comando no setor aéreo.
- Há disparidade de ações. Ou seja, estamos com um problema de comando. E isso [comando] vai ter- completou Jobim.
Ele fez questão de dizer que estará no comando do plano que será implementado pelo governo para solucionar o caos aéreo.
- A hierarquia parte do ministro. Quem manda é o ministro - concluiu.