Por: Jéssica Santos de Souza, Rede Brasil Atual
Publicado em 14/09/2011, 17:04
Última atualização às 17:04
TweetSão Paulo - As obras da Usina de Belo Monte devem aumentar a criminalidade na região de Altamira (PA), a 770 quilômetros de Belém, segundo o superintendente regional da Polícia Civil no Xingu, delegado Cristiano Nascimento. A violência teve um aumento de 28% em relação a 2010 na região, e Nascimento acredita que em 2012 vai haver nova elevação. "A criminalidade ainda não se instaurou, as obras começaram agora, as empresas ainda estão se instalando agora", pondera o delegado.
Para a coordenadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Antonia Melo, esse índice já em alta reflete a falta de investimento nas condicionalidades prometidas pelo governo federal por conta das obras da usina. Por isso, era esperado esse tipo de consequências.
Antonia aponta que a superintendencia da polícia civil do estado no Xingu tinha carência de pessoal para atender às demandas de Altamira e de mais nove municípios próximos antes da intervenção. Com a chegada dos funcionários da obra, o cenário tende a se agravar pela nova demanda.
"Houve um aumento populacional (com a chegada dos operários) e, com ele, não veio o investimento na infraestrutura; a região está um caos. Não há pessoal suficiente na área de segurança, a saúde está precária", denuncia a ativista.
Na área de segurança, o delegado Nascimento aponta que hoje seria necessário o dobro do efetivo policial para combater a criminalidade de forma satisfatória. O governo do Pará já assinalou a abertura de concursos para a contratação de mais pessoal e os editais devem ser lançados até o final de setembro.
A empresa responsável pela construção da usina, Norte Energia assinou um acordo com o governo de cerca de R$ 174 milhões para investimentos em segurança. "Não temos ainda viaturas novas, os prédios ainda são os mesmos, mas já há projetos para o início da reestruturação", explica Nascimento.
Antonia ainda chama a atenção para outros problemas que as obras estariam causando na região, como o desemprego e a especulação imobiliária. "As pessoas não estão conseguindo mais pagar o aluguel", diz. Para ela o início das obras sem as condicionantes é uma irresponsabilidade do governo. "Sobrou para a gente a violência, o aumento do desemprego e nada foi melhorado", lamentou.
Leia também:Ação contra Belo Monte leva Judiciário a discutir direitos da naturezaAltamira recebe regional do Ministério do Trabalho para fiscalizar Belo MonteAtivistas miram bancos em protesto virtual contra Belo MontePor impacto menor, hidrelétricas na Amazônia foram reduzidas, diz TolmasquimMais sobre Belo Monte