A cirurgia de remoção de amígdalas e da adenoide eleva o risco de obesidade, de acordo com um estudo publicado na revista Pediatrics.
A cirurgia, que chegou a ser considerada medida de saúde pública, é restrita hoje a infecções recorrentes sem controle clínico, à obstrução nasal, que pode levar a alterações faciais, e à apneia do sono, que interfere no aprendizado.
A pesquisa realizada com pais de cerca de quatro mil crianças com até oito anos, mostrou que a prevalência de sobrepeso aumentou em 61% após a remoção das amígdalas e 136% após a remoção das amígdalas e da adenoide
A pesquisa, liderada por Alet Wijga, do Instituto Nacional de Saúde Pública da Holanda, explicou que com amígdalas e adenoide constantemente inflamadas, a criança tem deglutição e olfato prejudicados e não consegue alimentar-se normalmente.
Após a operação, ela come mais porque pois a deglutição torna-se mais fácil e o olfato e o paladar, mais apurados. A criança também diminui o gasto energético que antes ocorria com a respiração trabalhosa e com os processos inflamatórios.
A desobstrução das vias aéreas pela cirurgia também permite uma respiração menos trabalhosa. Com isso, menos energia é gasta.
O quadro se completa com uma quantidade menor de energia consumida em processos inflamatórios.
A apneia do sono, que pode surgir por conta da amígdala pode relacionar-se também à hiperatividade.
A alteração na flora intestinal com a diminuição da administração de antibióticos após a cirurgia também pode contribuir para a permeabilidade do intestino e o aumento do peso.
As amígdalas e a adenoide têm função importante no sistema imunológico por servirem como os primeiros "filtros" das vias digestivas e aéreas.