Governo e oposição no Senado contam as assinaturas para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias contra o ex-subsecretário de Assuntos Parlamentares, Waldomiro Diniz. No PMDB, maior bancada no Senado, o líder Renan Calheiros (AL) manteve hoje as conversas com os demais peemedebistas. Ele é contra a instalação da comissão. O PT, que conta com 13 senadores, reúne-se amanhã para decidir qual será a posição do partido diante da proposta de CPI. Os demais partidos do bloco de apoio ao governo (PSB/PTB/PL) aguardam a decisão.
Na oposição, só o PSDB definiu posição: dez dos 11 senadores concordam em assinar o requerimento proposto pelo colega Antero Paes de Barros (PSDB-MT). "Recomendaremos que todos assinem a CPI", disse o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM). Apenas o senador Eduardo Siqueira Campos (TO) recusou-se a assinar o pedido de CPI. "Esta CPI não seria instalada antes de março e coincidiria com as convenções dos partidos para as eleições municipais. Então, não há quem queira dizer que esta CPI não vai se transformar num palanque eleitoral", disse.
Já no PFL, que conta com 17 senadores, a indefinição continua. O partido realizaria amanhã uma reunião extraordinária de sua Executiva Nacional para tratar da questão. O encontro foi cancelado no final da tarde. Pela manhã, o senador Antonio Carlos Magalhães (BA) afirmou que não assinaria o requerimento por julgar que não há qualquer indício de envolvimento do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, nas denúncias feitas contra Waldomiro Diniz. ACM adotou o mesmo discurso de parlamentares ligados ao governo para justificar sua posição. Segundo ele, as denúncias datam de 2002, período em que Diniz ainda não estava no governo e presidia a empresa lotérica do Rio de Janeiro (Loterj).
O discurso de ACM apenas externa a divisão pefelista. O líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN), argumenta que o governo precisa ser rápido em prestar esclarecimentos convincentes para o Legislativo sob o risco da CPI ser a única saída para mostrar que ninguém no Executivo sabia da postura de Waldomiro antes de convida-lo a ingressar no Governo. "O que se pede esclarecimento é se o PT sabia do envolvimento do senhor Waldomiro nestas atividades e mesmo assim o nomeou, ou se simplesmente não sabia de nada", disse.
Juntos, PSDB e PFL contam com 28 senadores, número que ultrapassaria os 27 mínimos exigidos para a abertura de uma CPI no Senado. No entanto, o PSDB dará dez assinaturas e o PFL, em princípio, 11. Dos 16 pefelistas, não devem assinar o requerimento, os três representantes da Bahia ¿ ACM, César Borges e Rodolpho Tourinho ¿ além da senadora Roseana Sarney (MA), Edison Lobão (MA) e o senador João Ribeiro (TO). Com isso, são 21 nomes pela abertura da CPI.
A diferença viria da adesão dos cinco senadores do PDT ¿ Almeida Lima (SE), Augusto Botelho (RR), Jefferson Pérez (AM), Juvêncio da Fonseca (MS) e Osmar Dias (PR) ¿ somados aos nomes de Heloísa Helena (sem partido/AL) e dissidências no PMDB, como o senador Mão Santa (PI) e Pedro Simon (RS).