Os desafios oferecidos ao Brasil pelo desenvolvimento verificado pela China e pela Índia serão discutidos entre os dias 9 e 12 deste mês, no XVII Fórum Nacional, que o Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae) promoverá na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no Rio de Janeiro.
O evento terá como tema central China e Índia como Desafio e Exemplo e a Reação do Brasil Para Cima e será aberto pelo Ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O ministro vai representar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sessão inaugural abordará as condições fundamentais para o crescimento sustentado.
O ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso afirmou nesta quinta-feira, à Agência Brasil, no Rio de Janeiro, que o Brasil corre o risco de perder posições no cenário global para China e Índia. Na visão de Velloso, embora os dois países estejam se mostrando como aliados em disputas comerciais internacionais, eles se tornam a cada dia nossos maiores competidores entre os países emergentes.
De acordo com dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), enquanto as exportações chinesas cresceram cinco vezes de 1993 a 2003, passando de US$ 92 bilhões para US$ 428 bilhões, e as da Índia evoluíram três vezes (de US$ 21,6 bilhões para US$ 57,1 bilhões), os embarques feitos pelo Brasil ao exterior apenas dobraram no período, subindo de US$ 39 bilhões para US$ 73 bilhões.
Reis Velloso explica o título do evento da próxima semana. Para ele, o impulso observado pelos dois países concorrentes representa ao mesmo tempo um exemplo e um desafio para o Brasil. Segundo analisa, já não se trata mais do fato de China e Índia terem crescido mais do que o Brasil. A questão, segundo ele, ganha dimensão maior porque as duas nações "se tornaram altos competidores em setores nos quais o Brasil também está querendo competir no mercado internacional". A siderurgia é um desses setores, indica o ex-ministro.
Estudo realizado pelo Inae, do qual Reis Velloso é Superintendente Geral, revela que China e Índia também adquiriram grande competitividade em áreas em que o Brasil está dando ainda os primeiros passos, como a de Tecnologia da Informação, incluindo a área de serviços de informática (software, em especial), considerada chave nos dias atuais. O custo menor da mão-de-obra é uma das razões para isso, identifica o Inae.
A solução para o Brasil reagir "para cima" a esse comportamento dos concorrentes, como define o ex-ministro, passa pela consolidação do crescimento sustentado, de modo a se atingir uma média de crescimento do Produto Interno Bruto entre 4% a 5% ao ano, "pelo menos". Reis Velloso afirmou que esse crescimento deve ser baseado na Inovação tecnológica, aplicada tanto à indústria como ao agronegócio.
Crescimento da China e da Índia serve como desafio e exemplo para o Brasil
Quinta, 05 de Maio de 2005 às 17:21, por: CdB