O crescimento da economia brasileira desacelerou no primeiro trimestre do ano, com o impacto do aumento das taxas de juros, apontou o IBGE nesta terça-feira, que também revisou para baixo a expansão de 2004.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que o PIB cresceu 0,3% em dado dessazonalizado ante o quarto trimestre de 2004, ainda impulsionado pelo setor agrícola. Essa foi a menor taxa desde o segundo trimestre de 2003.
- A agropecuária foi o único setor de atividade que alcançou uma taxa de crescimento positiva, de 2,6% - apontou o IBGE, acrescentando que a indústria recuou 1,0% e o setor de serviços teve queda de 0,2%.
Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, a taxa de crescimento foi de 2,9% - com expansão de 4,2 do setor agropecuário, 3,1% da indústria e 2,0% dos serviços.
- As taxas de juros afetam o crescimento e provocam a desaceleração da economia - disse a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.
Para economistas, os dados do PIB devem contribuir para que o Banco Central interrompa a elevação do juro básico.
- O PIB ter avançado 0,3%... mostra que não há mais espaço para alta da Selic - comentou o economista Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O desempenho da economia ficou abaixo da expectativa média de economistas ouvidos pela Reuters na semana passada. A pesquisa apontava expansão de 0,44% em relação ao último trimestre de 2004 e de 3,5% na comparação anual.
Na revisão dos dados de 2004, a taxa de crescimento do ano recuou de 5,2 para 4,9%, por conta de mudanças feitas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nos dados enviados ao IBGE sobre a receita operacional líquida da telefonia móvel.
Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o crescimento foi de 1,8% no primeiro trimestre do ano passado, de 1,1% no segundo, de 1,3% no terceiro e de 0,4% no quarto trimestre.
As exportações de Bens e serviços continuaram sustentando o crescimento no primeiro trimestre, com alta de 3,5% frente ao final do ano passado. Já os investimentos recuaram 3,0 %, o consumo das famílias caiu 0,6%e o consumo do governo recuou 0,1%.
- O que realmente liderou o crescimento de 0,3% foram as exportações líquidas, e o problema é que, se você vê quedas consistentes do investimento na margem, o que você está realmente vendo é que a produção potencial está caindo também, e então o crescimento futuro está comprometido - disse o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomão.
Frente a igual período do ano passado, o investimento cresceu 2,3%. Foi o quinto trimestre com taxa positiva, mas a taxa média de crescimento dos três trimestres anteriores era de 14%
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- A queda na taxa de formação bruta de capital fixo foi muito grande - comentou a gerente do IBGE.
- No ano passado a economia estava bem... e agora houve uma desaceleração grande na construção civil, na (indústria de) transformação e no investimento. É lógico que isso tem a ver com os juros que começaram a crescer a partir do ano passado.
Crescimento brasileiro perde força no 1o trimestre
Terça, 31 de Maio de 2005 às 12:52, por: CdB