Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Crescer, apesar da liquidez internacional

Quarta, 06 de Julho de 2011 às 07:33, por: CdB

O ano de 2011 parece se arrastar sem grandes surpresas. Nem mesmo a agressão militar dissimulada da Líbia causa impacto. A crise econômica continua se arrastando sem soluções à vista.

Isso é verdade na Europa - que parece não saber o que fazer ou, pior, faz o que não deve, aprofundando a recessão e o desemprego, com riscos à sua estabilidade política e social. E é verdade, também, nos Estados Unidos, onde Obama já não governa sem os republicanos que, por sua vez, não aceitam a sua política de estímulo ao crescimento, muito menos a de uma agenda social.

Aqui, no nosso continente, as economias resistem às pressões externas e continuam a crescer. Inclusive a brasileira. Mas não é só. O resultado das eleições no Peru e o provável desfecho eleitoral na Argentina indicam que a tendência do eleitorado sul-americano ainda é por governos de centro esquerda e reformadores sociais, nacionalistas e com forte presença do Estado. Nesses casos, o Estado tem o papel de avalista dessas políticas, que contam com amplo apoio popular.

Protecionismo cambial

No Brasil, carro chefe da região, vamos virando o semestre sem grandes novidades, tanto na política, apesar do barulho denuncista repetitivo da oposição. Tampouco há algo de novo na economia. Permanecem os desafios para o país crescer em um mundo com grande liquidez, inflação e que quase não cresce. Esse mesmo mundo se torna cada vez mais protecionista, na sua nova versão cambial e monetária.

O nosso desafio hoje é crescer sem cair, de novo, na armadilha dos arautos da ortodoxia: juros e cortes. Ao contrário, temos de aprofundar o modelo apoiado na distribuição de renda, no mercado interno e na integração regional, nossa única linha de defesa.

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