Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Cresce temor de violência com fracasso de diálogo sobre Honduras

Segunda, 20 de Julho de 2009 às 07:16, por: CdB

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o governo interino que o depôs abandonaram no domingo as negociações, sob alerta do mediador para o risco de derramamento de sangue caso não haja um acordo em breve.

O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que tenta mediar a crise, pediu mais três dias a ambas as partes para apresentar um acordo que impeça a violência em Honduras.

– Talvez com este esforço que temos de fazer nas próximas 72 horas possamos evitar um derramamento de sangue – disse ele a jornalistas após o fracasso das negociações na sua residência, em San José.

– Qual é a alternativa ao diálogo? O que acontece se, amanhã, um hondurenho balear um soldado, e aí um soldado disparar sua arma contra um cidadão armado? – declarou.

Zelaya, deposto por um golpe militar em 28 de junho, disse que voltará a Honduras no próximo fim de semana, apesar dos reiterados alertas dos seus inimigos quanto à possibilidade de que ele seja preso.

O governo dos EUA tenta dissuadir Zelaya de voltar do exílio na vizinha Nicarágua antes que haja um acordo, já que seu regresso poderia agravar a crise. No entanto, ele rejeitou a pressão.

– Ninguém pode me deter – afirmou ele à Reuters.

Zelaya já tentou voltar em 5 de julho, mas foi impedido por tropas hondurenhas que impediram o pouso do seu avião em Tegucigalpa. Pelo menos uma pessoa morreu nos confrontos entre soldados e seguidores do presidente deposto no aeroporto.

Esta é a pior crise política na América Central desde o fim da Guerra Fria, e representa um desafio em meio aos esforços do governo de Barack Obama para melhorar as relações de Washington com a América Latina.

Zelaya foi deposto depois de contrariar a elite e o Congresso de Honduras com suas tentativas de ampliar o limite de mandatos presidenciais. A comunidade internacional em geral se mobilizou por sua volta ao poder, o que inclui o governo Obama e a Assembleia Geral da ONU.

Mas o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, se recusa a ceder o poder, conforme havia sugerido Arias em dois dias de negociações durante o fim de semana.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) atribuiu toda a culpa pelo impasse a Micheletti.

– Lamentamos profundamente essa atitude da delegação do governo de fato no sentido de rejeitar a proposta – disse o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.

– Não a compreendemos – afirmou.

A exemplo de Arias, Insulza citou a ameaça de violência em Honduras caso Micheletti não reconsidere sua decisão.

Já os EUA pareceram adotar uma atitude mais cautelosa.

– As pessoas que têm negociado têm o poder de (alcançar) uma resolução, mas afinal isso tem de ser uma solução de Honduras para Honduras – disse o porta-voz do Departamento de Estado Rob McInturff.

Os Estados Unidos, que são o principal parceiro comercial de Honduras, cortaram, a ajuda militar ao governo interino e ameaçaram suspender também a ajuda econômica.
Micheletti, que mantém o Exército em alerta elevado, ameaça prender Zelaya caso ele ponha os pés no país.

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